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A doença é mais comum em pessoas mais velhas e também nas mulheres
Cerca de 52% dos adultos com mais de 60 anos vão ao oftalmologista para tratar de questões relacionadas à catarata. A informação é de uma pesquisa feita pela Clínica de Oftalmologia Integrada (COI), do Rio de Janeiro, que faz um panorama da saúde ocular do brasileiro.
De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 30% dos brasileiros maiores de 60 anos sofrem com a catarata.
A Organização Mundial da Saúde (OMS), por sua vez, indica que a catarata é uma das principais causadoras de cegueira no mundo, com um índice de 51%.
Estudos de várias entidades mostram que essa e outras doenças oculares podem ser evitadas com a ajuda de visitas regulares ao oftalmologista.
Outros dados do levantamento da COI também indicam que 47% dos entrevistados vão ao oftalmo apenas uma vez por ano, enquanto 30% agendam uma consulta apenas quando sentem algum problema na visão.
O que é a catarata?
A catarata é definida pela presença de opacidade (parcial ou completa) no cristalino do olho, que é uma espécie de lente natural. Desta forma, a luz não consegue passar pelas retinas, causando imagens pouco nítidas, embaçadas, esbranquiçadas ou amareladas.
A doença pode ter várias origens, como:
- Incidência na família (histórico familiar)
- Outras doenças oculares (descolamento de retina e glaucoma)
- Doenças variadas (distúrbios autoimunes, hipotireoidismo, diabetes)
- Traumas ou lesões oculares
- Exposição ao tratamento de radioterapia
- Exposição a raios ultravioleta
- Consumo excessivo de álcool e/ou tabaco
- Consumo excessivo de corticóide tópico em forma de colírio ou sistêmico
- Carência de antioxidantes (carotenóides e vitamina C e D)
Mesmo com todas essas possíveis causas, a catarata é, em majoritariamente, associada ao envelhecimento. Isso acontece porque, após os 40 anos, os olhos passam por mudanças naturais causadas pela idade.
Proteínas que ficam nas lentes começam a oxidar, provocando algumas alterações de visão.
A ocorrência de doenças em pessoas mais velhas é, portanto, muito mais comum do que em jovens, com maior número de pacientes e gravidade mais alta.
Sintomas
Os diferentes tipos de catarata (congênita, secundária, traumática e senil) se manifestam de maneiras distintas, mas, de modo geral, os principais sinais são:
- Dificuldade para enxergar por causa de menor clareza visual, visão embaçada, nublada, confusa, esfumaçada ou turva
- Visão dupla
- Dificuldade para realizar atividades básicas (andar, ler, dirigir…)
- Sensibilidade à luz
- Alteração das cores
- Mudanças frequentes de grau no óculos
Homens e mulheres
Outro ponto interessante é que as mulheres sofrem mais com a catarata do que os homens. Registros do IBGE revelam que a doença afeta 39% das brasileiras, enquanto os homens ficam em 29,4%.
Os motivos para esse fenômeno são variados.
Diabetes
Em 2021, um levantamento da Federação Internacional de Diabetes faz um alerta para aumento do número de 16% no número de diabetes no mundo. No Brasil, 16,8 milhões de pessoas (cerca de 7% da população) convivem com a doença.
A explicação fica por conta da menopausa, que altera os hormônios a ponto de que o nível glicêmico fique mais alto, e até mesmo questões sociais mais abstratas, como a jornada dupla do trabalho feminino que causa mais estresse e cansaço.
Teoricamente, esses elementos contribuem para o desenvolvimento de diabetes e outros distúrbios.
Sendo assim, se as mulheres têm maior propensão à diabetes, também têm mais chances de sofrer com a catarata.
Oscilações hormonais
O corpo da mulher tem picos de estrogênio (hormônio sexual feminino) durante os ciclos menstruais ao longo da vida. Como consequência, há a aceleração do processo de opacificação do cristalino, dando origem à catarata.
Outra possibilidade é que, para controlar os sintomas da menopausa, mulheres entre 45 e 50 anos costumam fazer terapias de reposição hormonal.
Assim, existe um aumento significativo na produção de uma proteína conhecida como C-reativa, que também está ligada à catarata.
Expectativa de vida
Estudos comprovam que as mulheres vivem mais do que os homens. Com isso, se a catarata é mais comum em idosos, é natural que elas sofram mais com a doença, visto que têm mais tempo de vida.
Um relatório divulgado em 2020 pelo IBGE afirma que os homens têm expectativa de vida de 73,1 anos. As mulheres vivem, em média, até os 80,1 anos.
Como tratar a catarata?
Até o momento, a única maneira conhecida por médicos de todo o mundo para curar a catarata é com a cirurgia. Ainda não existem terapias alternativas ou medicamentos que possam reverter o quadro.
A operação é considerada suficientemente simples, embora tenha riscos como qualquer procedimento cirúrgico. Consiste na substituição do cristalino por uma lente intraocular, como se fosse uma prótese. A anestesia é feita com um colírio especial e o paciente pode voltar para casa no mesmo dia, sentindo apenas um leve desconforto da operação – que desaparece em pouco tempo.
Para aumentar as chances de um procedimento bem sucedido e de uma recuperação mais rápida e tranquila, é importante que a catarata seja diagnosticada o quanto antes. Casos mais avançados tendem a ser mais complexos e dolorosos.
Por isso, é de suma importância que consultas oftalmológicas sejam feitas regularmente. Recomenda-se visitas de rotinas anuais ou, caso o paciente ache necessário, uma vez a cada seis meses.
Também é importante se atentar aos sintomas. Ao menor sinal de desconforto, um médico especialista deve ser consultado o quanto antes.
Não operar a catarata resulta em perda de visão reversível. Em situações mais graves, a condição não pode ser contornada.

