A Coluna que eu não queria escrever

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Mozart Jr.

Hoje escrevo essa coluna sem nenhum prazer. Como quem me acompanha sabe, estou passando por um momento dolorido em minha vida. Mas, há outros fatores que também acabam doendo, de outra forma é verdade, mas doem fundo.

Ao longo de meu trabalho sempre fui um defensor do hospital Regional, seja aqui na Folha Uberaba, seja nos microfones por onde passei, mas confesso que o ocorrido em relação a meu pai, estremeceu um pouco essa confiança.

Meu pai foi levado para o Regional por conta de baixa taxa de sódio e uma possível infecção urinária, pois bem, ficou na UTI, onde foi muito bem tratado e no dia 28 de fevereiro foi dado alta da UTI pois, segundo a médica, a infecção regrediu e a taxa de sódio estava satisfatória. Ele então iria para a enfermaria, pois e de praxe ficar 24 horas antes da alta.

Eu acompanhava meu pai nesse momento e me despedi dele, que inclusive disse até o que queria no cardápio ao voltar pra casa. Pois bem…

Após ir para a enfermaria, começaram os problemas. De repente ao ser questionada por membro da família que lá estava sobre a medicação para o problema cardíaco dele, a enfermeira disse não estar na prescrição… Como assim? Se inclusive um dos remédios levamos de casa por não estar disponível no hospital?

Um dia depois de ir para a enfermaria, meu pai precisou ir para o oxigênio, isso depois de também ter que ser cobrado para que chegassem à saturação dele, teve outro fato que chamou atenção, quando a enfermeira, ao ser pedido que aferisse a pressão dele, disse que não tinha como fazer por conta do braço estar inchado e iria chamar uma superiora para o procedimento.

Após ir para a enfermaria, meu pai estranhamente não conseguiu mais se comunicar, tendo sido feito até tomografia Para saber se houve algum problema neurológico, o que foi descartado. No derradeiro dia, segundo minha sobrinha que o acompanhava naquele momento, após uma medicação, aqui me abstenho de falar por não ter conhecimento técnico, ele sofreu uma parada cardiorrespiratória e após alguns minutos nos deixou.

Tudo isso posto, ainda temos o problema do certificado de óbito, onde foi colocada como causa, um choque séptico, além de problemas renais e cardiopatia “desconhecida”, porém no dia seguinte, a surpresa ao ver meu pai incluído no boletim Covid-19.

Cobrei uma posição da secretaria de saúde na segunda feira desta semana e até está sexta-feira, 10, não obtive resposta alguma.

Repito: lamento ter que escrever essa coluna, mas minha família precisa de uma resposta.

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