Vigilante que “forjou” assalto e matou colega é condenado a 36 anos

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Foto: Divulgação

Criminoso foi preso no dia do crime pela Delegacia Rural da PC

Um vigilante que inventou um roubo e cometeu latrocínio contra um companheiro de profissão durante o trabalho em Uberaba foi condenado a 36 anos pela Justiça após o caso ser desvendado pela Polícia Civil.

Segundo apurado pela Folha Uberaba, a investigação da equipe da Delegacia de Repressão a Crimes Rurais de Uberaba foi decisiva para esclarecer o crime que, inicialmente, parecia ser apenas mais um assalto violento na zona rural de Uberaba.

O latrocínio aconteceu no dia 3 de setembro do ano passado em uma fazenda na estrada rural “UBR-1712”, às margens da BR-050, entre Uberaba e Uberlândia.

No dia, o vigilante E.A.F., de 50 anos, foi encontrado morto após ser atingido por um disparo de arma de fogo durante uma suposta ação criminosa e, logo após o fato, o então colega de trabalho da vítima, identificado pelas iniciais G.M.S., acionou a Polícia Militar (via 190) e relatou que ambos teriam sido surpreendidos por dois homens armados, roubados, e os bandidos mataram seu colega de trabalho.

De acordo com a PC, na versão inicial, o suspeito alegou que os criminosos anunciaram o assalto, exigiram a entrega das armas da equipe de vigilância e, durante a ação, efetuaram um disparo que atingiu fatalmente a vítima.

Ainda conforme o relato apresentado à polícia, após o tiro, ele teria se escondido e, somente depois da fuga dos suspeitos, localizado o companheiro caído ao solo com um ferimento na cabeça. Na ação, teriam sido levados um colete balístico e dois revólveres calibre .38.

A Delegacia de Homicídios foi a primeira unidade a atuar no caso, diante da notícia inicial de crime contra a vida. No entanto, já nas primeiras horas de investigação, os policiais identificaram indícios de que o caso envolvia também crime patrimonial, o que motivou a Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Rurais do 5º Departamento de Uberaba a assumir as investigações. Desde então as duas delegacias trabalharam em conjunto no caso.

O que parecia ser um roubo praticado por terceiros começou a ruir diante do trabalho técnico da Polícia Civil. Durante as diligências, os investigadores encontraram inconsistências relevantes nas declarações apresentadas pelo sobrevivente da ocorrência.

Com base em provas técnicas, perícias, oitivas e demais levantamentos investigativos, os policiais civis concluíram que o próprio vigilante havia arquitetado a falsa narrativa de assalto para tentar ocultar o crime.

Poucas horas após o fato, G.M.S., que inicialmente se apresentava como vítima, passou à condição de principal suspeito e foi preso em flagrante pela Polícia Civil. A prisão foi ratificada pela autoridade policial responsável pelo caso.

As investigações prosseguiram ao longo dos meses seguintes, reunindo um conjunto robusto de provas periciais, testemunhais e técnicas, culminando no indiciamento do investigado pelos crimes de latrocínio, fraude processual e comércio ilegal de arma de fogo.

O relatório final foi encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário.

Na segunda semana de maio de 2026, a 2.ª Vara Criminal da Comarca de Uberaba condenou o réu a 36 anos e 6 meses de reclusão, em regime inicial fechado, além do pagamento de 43 dias-multa.

A Polícia Civil de Minas Gerais destacou o comprometimento das equipes envolvidas na elucidação do caso, ressaltando a atuação estratégica e qualificada dos investigadores no combate aos crimes violentos no meio rural e na responsabilização dos autores.

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