Dia Mundial da Saúde Mental e de Cuidados Paliativos são lembrados neste sábado (10)
O Dia Mundial da Saúde Mental é lembrado anualmente em 10 de outubro. Neste ano, a data coincide com o Dia Mundial de Cuidados Paliativos, celebrado no segundo sábado de outubro. As datas reforçam um importante tema: o acolhimento em saúde mental dos familiares e pacientes em cuidados paliativos.
O Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM), vinculado à HU Brasil, possui, desde 2015, um Ambulatório de Cuidados Paliativos, que atua no acolhimento de pacientes adultos oncológicos. Além de um Grupo de Cuidados Paliativos (GCP), para pacientes adultos internados na instituição, como estratégia do cuidado. As equipes do HC-UFTM atuam na construção de um espaço de diálogo com a equipe multiprofissional e com a família, até mesmo no processo de luto.
O cuidado paliativo é uma abordagem que visa melhorar a qualidade de vida de pacientes com doenças graves ou terminais, focando no alívio dos sintomas e no suporte emocional e psicológico, tanto para o paciente, quanto para sua família. O ambulatório realiza atendimento multiprofissional com atendimento interdisciplinar nas especialidades de fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional, assistência social, medicina e nutrição.
“A atuação da psicologia junto aos pacientes em cuidados paliativos é fundamental porque o adoecimento grave e o diagnóstico de uma doença ameaçadora da vida provocam impactos que vão muito além dos aspectos físicos. O paciente passa a lidar com mudanças profundas em sua vida, em seus projetos, em sua rotina e, muitas vezes, na própria percepção de quem é”, comenta Wanessa de Araújo Maria Oliveira, psicóloga no HC-UFTM/HU Brasil.
A psicóloga explica que, no momento do diagnóstico, é muito comum observar sentimentos de medo, ansiedade, insegurança, tristeza, angústia e dificuldade para compreender e elaborar tudo o que está acontecendo. Ao longo do tratamento, também podem surgir diferentes processos de luto: pela perda da saúde, da autonomia, da capacidade funcional, do trabalho, de determinados papéis familiares e sociais e, em alguns casos, pela perspectiva de um futuro diferente daquele que havia sido planejado.
“Nosso trabalho é oferecer um espaço de escuta qualificada, acolhimento e elaboração do sofrimento, respeitando a história, os valores, os desejos e o tempo de cada pessoa. Procuramos identificar as necessidades emocionais e psicológicas que aparecem ao longo do processo de adoecimento e favorecer recursos para que o paciente possa enfrentar essa experiência da maneira mais possível para ele. Nos cuidados paliativos, cuidar também significa reconhecer a pessoa em sua integralidade, para além da doença”, pontua a especialista.
Pilares
“A espiritualidade e a família ocupam um forte mecanismo de enfrentamento para lidar com tudo isso. O adoecimento grave não atinge somente quem recebe o diagnóstico. A família vivencia seus próprios medos, angústias, mudanças de rotina, sobrecarga e processos de luto. Os familiares precisam de um espaço para falar sobre aquilo que não conseguem expressar diante do paciente: o medo da perda, a culpa, a impotência, a dificuldade de aceitar as mudanças e até conflitos que surgem nesse período”, aponta Vinicius dos Santos Sguerri, psiquiatra no HC-UFTM/HU Brasil.
“Acredito que uma das contribuições mais importantes nesse contexto seja justamente ajudar a transformar um momento marcado pela ameaça e pelas perdas em uma experiência na qual ainda possam existir vínculo, comunicação, escolhas, significado, dignidade e qualidade de vida, tanto para o paciente, quanto para sua família. Nosso objetivo não é eliminar todo sofrimento, porque algumas dores fazem parte da condição humana diante de uma doença grave, mas possibilitar que esse sofrimento possa ser escutado, compreendido e cuidado”, finaliza Wanessa.
Sobre a HU Brasil
O HC-UFTM integra à HU Brasil desde janeiro de 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.







