A escola cívico militar e a cultura do linchamento

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Mozart Jr.

Uberaba tem vivido momentos intensos em relação à educação, principalmente no que concerne à municipal, na terça feira, as coisas estiveram em um clima muito quente.
O caso de uma aluna, adolescente, que agrediu uma professora, ganhou logo as redes sociais e é claro, nesse território, onde todo mundo é expert em tudo, surgiram críticas de todo lado, só que nem sempre ao endereço certo…
Por outro lado, um sonho de muitos uberabenses que está próximo de se tornar realidade, também se tornou tema de um acalorado debate nas redes sociais.
A escolha de um novo diretor para assumir a escola do bairro Pacaembu, que foi a escolhida para se tornar escola cívico militar causou um alvoroço enorme pelas redes sociais.
Analisando todo o ocorrido, faço os seguintes apontamentos:
É justa a contrariedade de parte da comunidade escolar com a mudança de comando da escola?
Creio que justíssima, porém, não houve uma análise sobre Os critérios para isso, quem conhece sabe, uma escola com ligação ao regime militar tem certas nuances muito particulares e não se sabe até que ponto a decisão pela mudança se deveu a isso.
Segundo consta, o diretor exonerado deverá permanecer ocupando o cargo de coordenador pedagógico, tendo recusado um cargo na casa do educador.
A mágoa, caso exista do diretor exonerado é justa?
Totalmente, ele tem todo o direito do mundo de entender que foi desprestigiado nessa decisão.
Até aqui, tudo normal.
Porém, aí vem a cultura do linchamento virtual.
A pessoa que provavelmente deve assumir a direção da escola tornou-se alvo de ataques brutais nas redes sociais.
Ai vamos novamente ao questionamento:
O fato de ter sido ele escolhido pela Secretaria de Educação justifica o linchamento digital ou virtual como queiram?
Em vários grupos de WhatsApp divulgaram um processo administrativo em que ele foi exonerado da prefeitura da cidade de Veríssimo por conta de uma acusação, porém em nenhum momento, explicaram que ele foi completamente absolvido do tal processo que teria levado à exoneração.
Alguns que perpetraram os ataques e outros que fizeram questão de divulgar a cópia do tal processo, em momento algum buscaram a informação sobre o desenrolar dos fatos.
Eu não conheço nenhum dos dois envolvidos, não estou aqui fazendo defesa de A ou B, mas estou sim questionando essa fórmula de destruir reputações.
Defesa da educação? Não consigo acreditar que alguém possa acreditar defender a educação destruindo a moral de outra pessoa.
Para se defender a qualificação de um, é preciso destruir o outro? Até quando essa cultura do ódio será incentivada em nossas redes sociais?
O argumento para defender o seu preferido é destruir a reputação do outro?
Conheço o secretário Celso Neto, sei da sua vontade em acertar e sei da índole também, pode errar? Claro e vai faze-lo mais de uma vez, e deve ser cobrado sempre, pois é o responsável pela mais importante pasta do município.
Mas que as críticas sejam ao secretário, ao servidor público e não ao ser humano…
Da mesma forma, quer o professor Romes seja defendido com unhas e dentes, mas que para o exercício dessa defesa não precisem aviltar a moral do professor Marcelo.
Caso as coisas permaneçam nesse rumo, seguiremos dando vazão aos “ódios seletivos” e tudo com a desculpa de estarmos defendendo uma causa, seja ela qual for.

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