A intolerância é uma doença que fere o seu entorno

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No último dia 13 de Maio, comemorou-se a abolição da escravidão do Brasil, país que, aliás, foi o último da América a abandonar essa prática nefasta.
Aqui em Uberaba, a tradição de anos leva às ruas milhares de descendentes de escravizados, que reforçam o orgulho de suas origens e homenageiam seus antepassados e seus cultos originais.
Infelizmente, nosso país tem situações referentes às práticas humanitárias que, ao longo da história, estão longe de ser motivo de orgulho.
Pois bem, Uberaba, uma cidade acolhedora que sempre se orgulhou da harmonia existente entre os diferentes, seja no futebol, na religião, na preferência política ou em qualquer outra dissidência, foi palco de uma manifestação de intolerância religiosa carregada de ódio e preconceito vinda, pasmem, de um pároco…
Sim, um sacerdote da igreja de uma santa que dizia ser sua missão, rezar por todos os pecadores e também pelos sacerdotes. Com certeza, ela terá trabalho com tal criatura.
Ao tomar conhecimento da manifestação de ódio do religioso, busquei mais informações sobre ele e, infelizmente, descobri não tratar-se de episódio isolado. Em suas redes sociais, ele professa o ódio a quem pensa diferente dele, seja religiosamente, politicamente ou em qualquer outro tipo de manifestação.
Vendo tanto ódio distribuído gratuitamente por um “homem de Deus”, lembrei-me de Saramago, quando perguntado:
Como podem homens sem Deus serem bons? Sua resposta foi: – Como podem homens com Deus serem tão maus?
A verdade é que o fato ocorrido em Uberaba, o ataque às práticas religiosas de origem afro, é um exemplo do que tem ocorrido em várias partes do mundo: a intolerância, que já fez chutarem imagens que esse pároco adora, por exemplo, agora parte dele contra aqueles que professam sua fé de forma diferente.
Quem me conhece sabe que não professo religião alguma, porém respeito todas e também estudei um pouco do assunto, por isso, me atrevo a dizer que esse pároco representa qualquer coisa, menos o evangelho de Jesus Cristo.
Jesus Cristo só fala em amor e acolhimento, já esse senhor prega a intolerância, o desprezo à fé alheia. Uberaba, terra de gente de paz, não merece isso, e a igreja, que aqui já teve tantos representantes de grandiosas passagens, também não merece ter em seu seio alguém propagando o ódio de forma gratuita.
Que pelo menos ao falar de Deus, seja ele qual for, as manifestações possam ser em busca da paz.

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