Acidez Urbana – Jorn. François Ramos

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Bolsonarista?
Circula forte no meio político a possibilidade da transferência de Elisa Araújo para o Partido Liberal (PL). Será? Uma iniciativa dessa natureza significaria, nas eleições municipais, abraçar os votos dos bolsonaristas e outras alas da extrema direita ao mesmo tempo em que renuncia todos os votos da esquerda e de boa parte dos moderados. Apesar de sua posição durante as eleições presidenciais, a prefeita de Uberaba não deve adotar esta arriscada estratégia.

Não mesmo
Ex-presidente do MDB, Fabiano Elias (Foto) tem convicção que a polarização entre PT e PL não deve se repetir por aqui nas eleições municipais. Ele inclusive acredita que o PL não deve ter candidato próprio ao cargo de chefe do executivo uberabense, pois poucos estariam dispostos a arriscar perder os votos da esquerda. Como conhecedor da política local, Fabiano não tem dúvidas que os “partidos neutros” devem ser os mais assediados para as composições porvir, exatamente pelo temor dos candidatos quanto a uma repercussão negativa decorrente de posições extremas (direita ou esquerda) nas urnas. 

                                     Foto: Reprodução/Facebook


Nem tanto
Porém, para aliados do ex-prefeito Anderson Adauto, sua filiação junto ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que em Uberaba também conta com a ex-vereadora Marilda Ribeiro e o vereador Paulo César Soares, o “China”, não deve atrapalhar seu desempenho caso a candidatura para a sucessão de Elisa Araújo se consolide.

Moderação
O equilíbrio para caracterizar o grupo do ex-Ministro dos Transportes, caso concorra à prefeitura de Uberaba, viria dos partidos aliados. Aliás, as conversas entre Anderson Adauto e o ex-deputado estadual Tony Carlos, hoje no MDB, se intensificaram nas últimas semanas e demonstra que as diferenças do passado foram superadas. Também sinalizam a possibilidade da união de ambos em um mesmo grupo visando às eleições municipais do ano que vem.

Então
Nas composições que começam a serem especuladas está a criação de uma frente ampla de oposição. Fala-se até mesmo sobre uma possível transferência de Tony Carlos para o NOVO, o que não foi refutado até o momento. No “jogo de xadrez”, que começa a ganhar contornos mais decisivos conforme se aproximam as eleições, resta saber se a intenção é concreta ou apenas um sinal de disposição em trazer para o grupo agremiações que são, hoje, mais próximas da prefeita Elisa Araújo, que concorrerá à reeleição.

Canhota
Seja ou não candidato a prefeito, não se pode ter dúvidas que Anderson Adauto (Foto) assumiu postura de líder da frente de esquerda que pode contar, até o final do ano, além de PCdoB e PT, com PDT, PSB, PSDB e quem sabe o MDB, entre outros. Importante lembrar que vai pesar na hora da decisão quanto ao “caminhão” que se deseja subir, a proximidade de AA com Lula, de quem já foi ministro (2003/2004), coordenou a campanha presidencial em Minas Gerais e inclusive integrou a equipe de transição de governo no grupo de Minas e Energia.

                         Foto: Reprodução/Instagram


Tem mais
O ex-deputado federal, Franco Cartafina (PP), também tem mobilizado seu grupo com vistas às eleições municipais. O líder político tem trabalhado forte na composição da chapa para a Câmara de Vereadores e seu nome figura entre os possíveis candidatos a prefeito. Registra-se inclusive uma aproximação com os evangélicos, o que é justificado, pois sua representação na casa de leis vem crescendo a cada eleição.

Legado
Pelo menos um integrante da família do ex-vice-prefeito João Gilberto Ripposati, também reconhecido por seu trabalho na Câmara Municipal de Uberaba, já assinou filiação no PP de Franco Cartafina e colocará seu nome para concorrer a uma das cadeiras do legislativo municipal. Ripposati faleceu aos 59 anos, em 2020, vítima da pandemia de Covid-19, deixando uma herança política de credibilidade, respeito e compromisso com o interesse público.

Briga boa
O PP hoje conta com dois vereadores eleitos, sendo eles o Cabo Diego Fabiano e Rochelle Gutierrez, que conseguiu expressiva votação nas últimas eleições para a Assembleia Legislativa da Minas Gerais. Cogita-se a mudança de sigla desta última, mas caso ambos permaneçam como estão o páreo para os “novatos” será duro.

Segue dama
Neste contexto, que promete uma verdadeira guerra pela prefeitura de Uberaba, se engana quem pensa que Elisa Araújo está parada. A prefeita tem se reunido com os vereadores que integram seu grupo de confiança e outras lideranças políticas, no intuito de consolidar e conquistar apoios visando à sua reeleição.

Queijo na mão
Se AA espera contar com a figura do presidente Lula (PT), a prefeita Elisa Araújo tem como certo o apoio do governador Romeu Zema (NOVO), que venceu as eleições para a chefia do Executivo mineiro ainda no primeiro turno e obteve em Uberaba nada menos que 69,26% dos votos válidos. Kalil (PSD), mesmo apoiado por Anderson Adauto, ficou em segundo lugar na preferência do eleitor uberabense, com apenas 23,43% dos votos.

                            Foto: Reprodução/Facebook

Direita
Os posicionamentos de Elisa Araújo (Solidariedade), ao longo de seu mandato, em especial o apoio a Zema e Bolsonaro nas últimas eleições, também lhe conferem a condição de representante natural da direita uberabense. Dificilmente outro nome conseguiria arrebatar mais votos que a atual prefeita entre os conservadores.

E agora?
Nesta breve reflexão, não se pode esquecer que entre os possíveis concorrentes à sucessão de Elisa Araújo também se encontra o ex-vereador Thiago Mariscal. Adversários em 2020, a fusão do Pros com o Solidariedade, colocou ambos no mesmo partido, no qual também se encontra outro opositor da atual prefeita, o vereador Tulio Micheli.

Tem mais
A prefeita Elisa Araújo pode enfrentar ainda o empresário Hermany Andrade Junior (J. Júnior), que é mais um nome lançado neste complexo jogo político travado em Uberaba. Filiado ao PTB ele já manifestou que a sigla pode contar com ele na disputa majoritária do ano que vem. O PMB e outras duas agremiações estariam compartilhando o mesmo projeto.

Frase
“A política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa. Na guerra a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes”.
(Winston Churchill)

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