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Acidez Urbana – Por François Ramos & Leilane Vieto

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As eleições 2024 estão fazendo borbulhar o caldeirão da política em Uberaba. Imersa no fenômeno nacional da polarização, verifica-se um esforço concentrado das siglas partidárias para aumentar seu número de filiados, em especial nas cidades de grande e médio porte. A partir de meados de 2023 constata-se a intensificação de campanhas neste sentido.  O PT (Partido dos Trabalhadores), mesmo com a vitória de Lula, não obteve um crescimento significativo neste sentido. Já o PL (Partido Liberal) que teve suas estratégias concentradas no chamamento feito pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, conseguiu um resultado melhor, com um aumento de 5% nos quadros da legenda. A política liberal e as pautas que defende parecem estar sendo capazes de seduzir mesmo não tendo conquistado a preferência das urnas no último pleito. Por aqui, na Terra do Zebu, o PL vem aumentando de forma significativa a sua representatividade e importância. Com certeza o partido será um dos protagonistas na disputa eleitoral, o que em grande parte deve-se ao trabalho de sua presidente local, Ellen Miziara, e do nosso entrevistado de hoje, o pré-candidato à Prefeitura, Samir Cecílio Filho.

    Foto: Reprodução/Instagram:@samirceciliofilho

François Ramos (FR) – Quem é Samir Cecílio Filho? Nos conte um pouco sobre você.
Samir Cecílio (SC) – Sou natural de Uberaba, filho de Samir Cecílio, médico, dentista, advogado e político e de Marly Prata Cecílio, artista plástica. Tenho três irmãos, Silvana, Fernando e Renato. Sou casado com Marcela e temos dois filhos, Luiza e Samir Neto. Formado em engenharia civil, empresário e empreendedor. Com passagens pelo setor público como secretário municipal de desenvolvimento econômico, presidente da COHAGRA, diretor de marketing do SEBRAE-MG. No associativismo fui presidente da ACIU por dois mandatos e vice presidente da FEDERAMINAS. Vereador à Câmara Municipal, sendo o mais votado da história de Uberaba com 7.883 votos. Empresário com passagens em vários setores e atualmente atuando no setor de construção civil, imobiliário, publicidade e no setor de comércio varejista. Hoje, pré-candidato à Prefeitura Municipal de Uberaba as eleições deste ano pelo Partido Liberal (PL).

FR – Você é empresário. Já foi presidente da Associação Comercial e Industrial de Uberaba. A realidade experimentada pelo comércio de rua no centro de Uberaba não está fácil, em especial por aquele presente nas ruas Artur Machado, Tristão de Castro e São Benedito. Como reverter esta situação?
SC – Acredito que este problema não seja somente nosso, de Uberaba, mas de praticamente todas as cidades de médio porte. O deslocamento de unidades de diversos setores para outros locais da cidade, como por exemplo: Prefeitura, bancos, Correios, fórum etc, tem forte implicação nesta questão. Não somente isto, mas o surgimento de shoppings, malls, migração do comércio para os bairros de forma bastante intensa, podendo citar avenida Ramid Mauad, Nossa Senhora do Desterro, Prudente de Morais, Goiás, Elias Cruvinel, dentre várias outras, contribuem para o enfraquecimento do comércio na região central da cidade. Esta situação poderá ser melhorada, às vezes até revertida, através de estudos de poderia ser feito para diferenciar estas ruas ou regiões. Por exemplo, transformando uma destas ruas em um boulevard à céu aberto, tornando-a, inclusive, uma atração turística. Fazer ajustes na legislação municipal, no sistema viário, mobilidade urbana e outros que podem estar trazendo algum prejuízo ou obstáculo para o comércio destes locais. O sistema BRT, referência nacional em mobilidade urbana, merece novos estudos, seja para complementar o sistema, ou para otimizar o que já está implantado. Algumas gratuidades no transporte coletivo merecem ser analisadas, seja para aquecer a economia, seja para movimentar a área central. Por convicção, proporia um EVTE (estudo de viabilidade técnica e econômica) neste processo. A questão do inventariamento de imóveis, que com certeza tem trazido muito prejuízo para a região central, necessita passar por profunda revisão. Outro ponto importante é buscar, dentro desta readequação da região central de Uberaba, outras vocações que possam se encaixarem na região, tanto para o comércio, quanto para a habitação, cabendo aí forte estímulo do poder público para a sua verticalização, aumentando assim a população e, obviamente, consumidores na região.

FR – Fala-se em revitalização da região central. Caso esta ocorra o comércio ambulante presente, em especial, nos primeiros quarteirões do calçadão da Artur Machado, pode se tornar um problema. No passado, o Camelódromo (hoje esquecido) foi a solução encontrada. E agora? Como contornar esta questão social?
SC – Entendo que da forma que está não pode continuar, e com certeza podemos buscar soluções que tragam melhorias para todos, inclusive do ponto de vista arquitetônico. Vejo um lado interessante nesta questão, que é a constatação da presença de consumidores em potencial no local. Caso contrário os camelôs não estariam por lá. Provavelmente nosso camelódromo também precisará passar por uma readequação. Poderemos ter ao longo das avenidas, da mesma forma que nos corredores dos shoppings, pequenos quiosques que poderiam abrigar estes comerciantes, e ou, alocá-los em algum dos vários imóveis fechados na av. Leopoldino de Oliveira. Tudo regulamentado, todos devidamente legalizados como MEIs (Microempreendedores Individuais), pagando uma pequena taxa para o município etc.

FR – Apesar da desaceleração nos últimos anos, o mercado imobiliário continua um dos segmentos mais pungentes de Uberaba. Você já foi presidente da Companhia Habitacional do Vale do Rio Grande (COHAGRA) e conhece de perto o déficit de moradias para famílias de baixa renda. Pergunto: A solução para este grave problema pode estar no setor privado?
SC – O setor habitacional é dividido em faixas à exceção da faixa 1, que é voltada às famílias de baixa renda e que precisa de fortes subsídios, em todas as outras faixas temos a oferta de financiamento e até algum subsidio. Nestas faixas não vejo problema, apesar de que pode melhorar, como por exemplo passando o percentual financiado do imóvel (hoje 80%) para um patamar mais alto, fazendo com que diminua o valor da entrada, facilitando bastante as aquisições. Nosso déficit habitacional está concentrado na faixa 1 e, como já disse, necessita de fortes subsídios. Acredito que subsidiar este setor é muito importante e com grande retorno socioeconômico. É um seguimento que emprega em abundância, demandando por muita mão de obra, de forma rápida, aquecendo intensamente a construção civil e, obviamente, proporcionando a realização do sonho das famílias de terem a casa própria. Para esta faixa, particularmente, tenho um entendimento que deveria ser regra em todo país e, assim como o SUS, funcionar de forma tripartite. Os municípios entrariam com a área/terreno a ser loteado, o estado com a infraestrutura do loteamento e o governo federal com as casas. Assim, tendo a participação das três esferas teríamos condições de disponibilizarmos um número muito maior de moradias. Em relação ao setor privado, este atua com exclusividade e competência na construção em todas as faixas, cabendo ao poder público organização, subsídios e fiscalização.

FR – Fala-se que o credenciamento de Uberaba como Geoparque, junto à Unesco, pode inflacionar o mercado imobiliário na cidade e provocar o aquecimento do setor hoteleiro e do comércio de uma forma geral. Quais as suas expectativas quanto a este projeto para a cidade?
SC – Hoje, se for feito uma pesquisa, a nível mundial, junto às crianças para saber qual tema mais as fascinam, com certeza o tema dinossauro estará entre os primeiros, quiçá em primeiro. Isto nos mostra a importância deste tema e o seu potencial para Uberaba. Quanto à questão de inflacionar o mercado imobiliário, não acredito pelo fato de que isso não acontece do dia para a noite. É um processo que se desenrolará ao longo dos anos e também pelo fato de Uberaba não ser uma cidade adensada. Temos muita área disponível e muito lote urbanizado que suporta esta expansão, inclusive, sem grande incremento nos serviços públicos. Quanto ao aquecimento do setor hoteleiro e do comércio de forma geral, o objetivo é exatamente este, que é de promover o nosso desenvolvimento socioeconômico, gerando emprego e renda.

FR – Eleito vereador em 2012, foi o mais votado, com 7.883 votos. Seu trabalho no Legislativo e sua liderança popular e junto às instituições de classe, o credenciaram, em 2016, à condição de candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada por Lerin. Juntos vocês obtiveram 34.998 votos. Após um período afastado da política se filiou ao Partido Liberal no ano passado e criou uma expectativa quanto a sua possível candidatura para prefeito em 2024. Você já definiu o seu futuro político?
SC – Recentemente, recebi da Presidente do Partido Liberal – PL, Ellen Miziara, o honroso convite para me Filiar. O que fiz.  O Partido Liberal defende, de forma muito próxima, tudo aquilo que acredito, prático e defendo. Assim, coloquei meu nome à disposição e com muito orgulho fui indicado pelo partido como pré-candidato à Prefeitura de Uberaba, nas eleições deste ano.

   Foto: Reprodução/Instagram:@samirceciliofilho

FR – O que Uberaba precisa para se desenvolver? O Parque Tecnológico ainda pode se tornar uma referência nacional e contribuir com esse processo?
SC – Sem sombra de dúvidas, o crescimento mundial está umbilicalmente ligado à tecnologia e cada vez mais intenso. Notamos isto em todos os setores: Comunicação, ensino, agro, medicina, transportes etc. Agora, com o advento da inteligência artificial, fica até difícil imaginar onde chegaremos. Com o nosso parque tecnológico, o maior em extensão de Minas Gerais, já implantado e em funcionamento estamos alguns passos à frente da maioria das cidades, isto faz a diferença e obviamente nos beneficia.

FR – Por falar em tecnologia, o município tem em sua estrutura a CODIUB (Companhia de Desenvolvimento de Informática de Uberaba). Caso eleito prefeito de Uberaba, quais são os seus planos para esta empresa (de economia mista) que desde 1986 atua prestando serviços para órgãos públicos de todo o Brasil?
SC – O setor tecnológico evolui de forma muito rápida e requer constante investimento. Caso contrário a empresa fica defasada e perde competitividade. Como não tenho conhecimento da realidade da empresa, acredito que esta prestação de serviços (para outros órgãos e empresas que não sejam a PMU) necessita gerar receita suficiente para tornar a empresa economicamente autônoma, tendo condições de continuar crescendo sem a necessidade de aportes por parte da PMU além, obviamente, para lhe prestar o melhor serviço. Caso contrário, entendo que deve ser estudado outras formas de parcerias ou até mesmo a privatização.

FR – A exemplo do que acontece na maioria das cidades brasileiras, o desemprego e o subemprego ainda são problemas crônicos em Uberaba. Como enfrentar essa questão?
SC – A geração de emprego e renda precisa ser constante e crescente. Precisamos constantemente buscar novos empreendimentos, lançando mão de articulação, rede de contatos, apoio político, incentivos etc. Enfim, fazer isto de maneira incansável e obstinada. É fundamental na atual conjuntura, e tem nuances muito além da oferta e procura por vagas. O contexto exige um redesenho do processo no seu todo. Estou pronto para atuar nesta ampla discussão, que envolve vários atores, para termos soluções efetivas. E não só atores locais.

FR – Empregabilidade é um conceito que anda junto com qualificação. Uma das reclamações recorrentes das empresas uberabenses é quanto a dificuldade de conseguir mão de obra qualificada. Você tem alguma proposta de política pública que pode contribuir para o atendimento desta demanda?
SC – Não vou dizer que hoje temos oferta de empregos em abundância, mas com certeza temos muita oferta e falta o profissional com o mínimo de qualificação para a vaga. Isto em qualquer setor. Acho difícil enxergar melhoria neste quadro enquanto nossa política educacional for voltada para formação de profissionais com graduação superior ao invés de formarmos bons técnicos. Obviamente que a qualificação precisa ser constante e para isto precisamos de buscar o máximo possível de parcerias com as mais diversas entidades, instituições, empresas etc. Inclusive usando de criatividade par estimular as pessoas a se qualificarem. Não é raro vermos pessoas diante da oportunidade de qualificação e não se interessarem. Reside aí um problema cultural que, da mesma forma, precisa ser enfrentado.

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