Baixa umidade do ar aumenta o riso de doenças respiratórias

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Pneumologistas do HC-UFTM alertam para cuidados com a saúde no tempo seco

O início de agosto trouxe mais um aviso de baixa umidade do ar do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Na primeira semana do mês, em Uberaba, a umidade relativa do ar foi considerada como perigo potencial, variando entre 30% e 20%. Pneumologistas (médicos especializados no sistema respiratório) do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM) vinculado à HU Brasil, alertam sobre o tema.

Os médicos advertem que, neste período de seca, aumentam as doenças respiratórias virais, pneumonias, inflamações e infecções das vias aéreas superiores, como rinite, sinusite, faringite e bronquite, além do agravamento de doenças crônicas, como asma, enfisema pulmonar e DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica). Essas complicações respiratórias aumentam a demanda por atendimentos e internações.

Até o final de julho deste ano (2026), o HC-UFTM registrou 143 casos com confirmação viral, sendo 49 casos de Vírus Sincicial Respiratório (VSR), 40 de Rinovírus, 27 de Influenza A, 12 casos de Influenza B, 11 de Adenovírus, três casos de Covid e um caso de vírus Parainfluenza.

O HC-UFTM conta com ambulatórios focados na assistência a pacientes com condições respiratórias graves, atuando como referência de alta complexidade dos 27 municípios da macrorregião Triângulo Sul, conforme fluxo estabelecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 

O público mais vulnerável são as crianças (pelo sistema imunológico ainda em desenvolvimento), idosos (pela menor reserva funcional e tendência à desidratação) e pessoas que já têm diagnóstico prévio de doenças respiratórias crônicas ou cardíacas.

“Pessoas portadoras de asma, enfisema, rinite ou outras doenças respiratórias devem usar medições inalatórias de forma contínua, conforme prescrito pelo seu médico, além de manter as vacinas em dia e manter uma boa hidratação corporal e de mucosas”, pontua Karoline Ribeiro Bento, médica pneumologista no HC-UFTM/HU Brasil.

Impactos da baixa umidade e sintomas

“A baixa umidade resseca as mucosas que cobrem as vias aéreas (nariz, garganta e pulmões) e os olhos, reduzindo a barreira natural de proteção do corpo, deixando a garganta irritada, a pele ressecada e o nariz mais suscetível a sangramentos e infecções”, explica Daniel Hugo Winter, também médico pneumologista no HC-UFTM/HU Brasil.

Falta de ar ou dificuldade para respirar, piora da tosse, chiado no peito, dor ou sensação de aperto no tórax, febre (principalmente alta e persistente), lábios ou pontas dos dedos arroxeados, cansaço extremo ou prostração (especialmente em crianças e idosos), aumento de secreção no nariz ou pulmão, e coriza nasal importante, são sintomas que indicam a necessidade de uma avaliação médica.

Prevenção

“A prevenção mais eficaz combina vacinação em dia (especialmente Gripe/Influenza e Pneumocócica), hidratação constante (oral e nasal) e evitar a exposição a fumaça e queimadas, que se somam ao ar seco e agravam muito a qualidade do ar”, aponta Daniel. As principais dicas do especialista são: manter o nariz hidratado com soro fisiológico, evitar atividades físicas ao ar livre nos horários mais quentes e secos (entre 10h e 16h) e manter os ambientes limpos e arejados, evitando o acúmulo de poeira.

“É necessário estar atento ao calendário vacinal, aumento da ingestão de água e uso de umidificadores domiciliares. Essas medidas auxiliam na prevenção e exacerbações de doenças respiratórias crônicas. A vacinação contra doenças respiratórias e lavagem nasal são comprovadamente eficazes contra o adoecimento no período de seca. Em resumo, a prevenção com medidas muito simples e acessíveis são peças fundamentais para passar por esse período de seca com saúde”, comenta Karoline.

Lavagem nasal

Os especialistas são unânimes: a lavagem nasal é muito eficaz e segura para todas as idades. A orientação é usar o soro fisiológico 0,9% (em temperatura ambiente ou levemente morno). Aplique com seringa, garrafinha própria ou spray, inclinando levemente o corpo para frente e a cabeça para o lado oposto ao da narina que recebe o soro, sem força excessiva na pressão. Evite realizar força desproporcional para expectorar ou escarrar.

“Mas, atenção: se for feita com pressão excessiva ou jato muito forte, a lavagem pode empurrar a secreção para o ouvido, causando otite ou desconforto. Além disso, usar água da torneira em vez de soro fisiológico (ou água esterilizada/fervida) pode introduzir germes nas cavidades nasais”, finaliza Winter.

Umidificadores

Para os médicos, o uso de umidificadores é uma boa ferramenta nesse período do ano. Devem ser usados principalmente à noite, mas não precisam ficar ligados a noite toda, pois o excesso de umidade também pode favorecer ácaros e mofo. A orientação é ligar três horas antes de dormir e desligar. Os umidificadores e climatizadores devem ser limpos diariamente para não acumular fungos e bactérias. O uso de bacia de água e toalhas molhadas na cabeceira da cama também são alternativas simples e seguras para a noite inteira.

Sobre a HU Brasil

O HC-UFTM integra a HU Brasil desde janeiro de 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.

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