Imagem: Náufragos. Joaquin Bárbara e Balza, 1896.
Mozart Jr.
O primeiro turno das eleições acabou, o ex-presidente Lula leva uma vantagem considerável para o segundo turno, mas o presidente Bolsonaro movimenta seu exército para tentar virar votos…
Será outra campanha, terão que falar os dois, para eleitores que os rejeitaram no primeiro turno, Bolsonaro tentará convencer aqueles que o repudiam por sua atuação na gestão da pandemia e também sofrem com a economia, apesar das medidas drásticas tomadas de última hora, outro ponto para ele, são as mulheres, suas falas consideradas misóginas o atrapalham muito nesse contexto.
Já o ex presidente Lula, terá que falar àqueles que tem grande rejeição ao PT, àqueles que mesmo recusando Bolsonaro, não o escolheram.
Para isso, precisará de um discurso que atenda os anseios do eleitor de centro e também do mercado de forma geral, seu staff percebeu que a entrada de Meirelles no jogo angariou frutos para a campanha junto a esse público específico e trouxe tranquilidade ao mercado, cabe ao petista fazer as leituras corretas e a movimentação certeira, talvez um anúncio de projeto econômico sem radicalismo possa ajudá-lo.
Os dois agora correm por apoios, Bolsonaro já teve aceno de governadores eleitos como Zema em MG, onde foi derrotado por Lula, mas será que Zema conseguirá transferir ou virar votos? A mesma questão fica para outros estados.
Bom, esse é o quadro nacional, mas, o título deste texticulo é uma referência a nossa Uberaba, por motivos tantos, ficamos sem uma representatividade genuína no congresso nacional e assembleia mineira. Uberaba foi a grande derrotada dessa eleição, falta de aviso não foi, muita gente avisou, eu comentei várias vezes aqui e quando estava no rádio, o excesso de candidatos poderia ser nossa ruína e assim foi.
O título remete aquele dito antigo: “morreram todos abraçados”, cá na Zebulândia, morreram todos separados, cada um em sua própria ilha de vaidade , que foi colocada acima dos interesses da cidade.
Por aqui o que vimos foi um show de prepotência, de falta de diálogo e de visão. Autoridades do município optaram por candidatos de fora em detrimento de locais.
Pessoas que sabiam seu tamanho, e confirmaram com pouquíssimos votos, insistiram e tiraram a chance de quem podia hoje estar credenciado a representar a cidade.
A prefeita optou por lançar uma candidata a estadual que conhecia a dificuldade em tornar-se devidamente cacifada no Estado ou quiçá na região, a prova do erro, foi o número insignificante de votos para ela, mas que se destinados a outros com mais chances, mudaria esse quadro.
Imperou uma certa arrogância nessa história toda, candidata inclusive se negou a dar informações sobre gastos de campanha solicitados.
Alguns ligados a religiões, acharam que isso seria bastante para levá-los a fazer frente a uma campanha dessa magnitude.
Um ponto que precisa ser avaliado com muito zelo pelos políticos locais é, por que está se tornando moda, forasteiros virem até aqui e levaram um caminhão de votos? Janones na passada e menos nessa em que o vereador de Belo Horizonte, Nikolas, veio ou melhor, jogou seu nome aqui e levou nada menos que 18 mil votos.
Será que não é hora de se fazer um mea culpa? Onde erraram? O que não perceberam?
Por fim, Uberaba é a grande derrotada porque, se antes, com eleitos pela cidade, chamados para se descer do caminhão eram ignorados, agora, com o mar de mágoa que essa eleição deixou, esperar por união por aqui e ser no mínimo inocente ou sonhador.
Com certeza, 2024 já começou e muita gente com faça nos dentes já veste as armaduras para o que promete ser uma guerra…

