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Tempo seco compromete canaviais e soluções biológicas ganham protagonismo no manejo
A seca, cada vez mais severa e frequente, impõe perdas importantes aos canaviais. Com ciclo produtivo de cerca de cinco anos, a cana-de-açúcar sente diretamente os efeitos do estresse hídrico, que pode reduzir a produtividade entre 5% e 15%. Em regiões como o Cerrado e áreas de transição no norte de Goiás, interior paulista e Minas Gerais, o impacto é ainda mais expressivo.
Além da menor brotação e da perda de vigor, a estiagem compromete a atividade biológica do solo, reduz a absorção de nutrientes e limita o crescimento radicular. O resultado é uma lavoura mais vulnerável — justamente em um momento em que produtores também enfrentam pressão sobre preços do açúcar e do etanol.
Se a irrigação surge como alternativa técnica, o custo elevado ainda é um entrave. Nesse contexto, ganham espaço soluções biológicas desenvolvidas por empresas como a Biotrop. A companhia aposta em tecnologias microbiológicas para fortalecer o sistema radicular da planta e aumentar sua resiliência em períodos secos. Entre as inovações está o Bioasis Power, ativador que estimula a formação de biofilme ao redor das raízes, reduzindo a perda de água e ampliando a capacidade de absorção hídrica e nutricional. Estudos indicam ganhos adicionais de até oito toneladas por hectare em condições de manejo adequado.
vez mais, pela integração entre inovação, interiorização e sustentabilidade econômica.

Sicredi Ibiraiaras RS/MG inaugura segunda agência em Araxá (MG)
Enquanto o campo busca eficiência produtiva, o sistema financeiro amplia o acesso ao crédito e reforça sua presença no interior. Em Araxá (MG), a Sicredi Ibiraiaras RS/MG inaugurou sua segunda agência no município, consolidando a expansão iniciada em 2022. A nova unidade amplia o atendimento presencial e reforça o modelo cooperativista em uma região estratégica para o agronegócio mineiro.

Após consolidar presença em 2025, Sicredi anuncia novo ciclo de expansão em Minas Gerais para 2026
Quem também aposta em crescimento em Minas Gerais é o Sicredi. Após encerrar 2025 com 289 agências em operação no Estado, a instituição projeta abrir ao menos 40 novas unidades em mais de 20 municípios até o fim de 2026. Nos últimos três anos, foram mais de 110 inaugurações, elevando a cobertura para cerca de 30% das cidades mineiras. O crescimento também aparece nos números: os recursos totais saltaram de R$ 6,1 bilhões para R$ 11,5 bilhões em um ano, enquanto a carteira de crédito alcançou R$ 13,2 bilhões.

Ceres Investimentos lança ROCA11 na B3 e amplia acesso do investidor de varejo ao agro
Outro sinal de interiorização do mercado de capitais veio com a estreia do fundo ROCA11 na B3, lançado pelo Grupo Ceres Investimentos. Com foco em crédito estruturado do agronegócio — incluindo CRAs, FIDCs e operações privadas —, o fundo busca democratizar o acesso do investidor de varejo às oportunidades do campo, antes concentradas em grandes investidores institucionais.
Fundado em 2019, em Uberaba (MG), o grupo já originou mais de R$ 6 bilhões em ativos ligados ao agro e defende a proximidade com o produtor como diferencial competitivo. A proposta do ROCA11 é conectar o capital urbano ao motor econômico do interior, ampliando a participação do pequeno investidor no financiamento do setor.
Entre desafios climáticos e novas estruturas financeiras, o que se desenha é um cenário de adaptação e expansão. A combinação de biotecnologia no campo e cooperativismo no crédito reforça uma tendência clara: o desenvolvimento passa, cada vez mais, pela integração entre inovação, interiorização e sustentabilidade econômica.

