Confesso estou um pouco atrasado, mas espero que ainda de tempo, pois quero falar de uma coisa, eu ando tão a flor da pele que qualquer beijo de novela me faz chorar, na verdade, eu quero a sorte de um amor tranqüilo com sabor de fruta mordida.Mas as pessoas na sala de jantar são as pessoas na sala de jantar e dizem que sou louco por pensar assim, pois a felicidade foi se embora, mas a felicidade é uma casa pequenina, uma casinha, uma colina, qualquer lugar que se ilumina quando a gente quer amar. E o amor é o fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente, é um passo para uma armadilha, é um lobo correndo em círculos para alimentar a matilha.Meu pai um dia me falou, ouça um bom conselho que eu te dou de graça, não chore ainda não. Mas quem me disse pra não chorar, chorou, pois era um romântico e românticos são poucos, são loucos, são tipos populares que vivem pelos bares e quando tomam umas biritas espantando a tristeza, dirigem seus carros e sabem que amar é abanar o rabo.Quando era menino, eu via a lua saindo, lua de são Jorge, a lua, e quando ela roda, roda o mundo, roda pião e aí meu amigo, há um menino há um moleque morando sempre no meu coração, menino Deus, de corpo azul dourado, e eu vi o menino correndo e vi o tempo brincando ao redor do caminho daquele menino e o tempo é um senhor tão bonito e o tempo não para, o tempo vira, leva o passado, leva-me tudo e todos os dias quando acordo não tenho mais o tempo que passou.Agora não pergunto mais aonde vai à estrada, pois esse caminho que eu mesmo escolhi é tão fácil seguir e alguém sentado a beira do caminho jamais poderá entender o que eu sinto agora, pois andando pelas ruas da cidade, reparei que nelas também nascem flores e que as flores de plástico não morrem, que as rosas não falam e também que as flores do jardim da nossa casa morreram todas de saudade, saudade palavra triste quando se perde um grande amor e se fosse só sentir saudade, mas chega de saudade, porque a saudade é o revés de um parto. O que eu mais queria era falar pra essa gente honesta, boa e comovida que cante uma canção bonita, como certas canções que ouço, porque cantar quase sempre nos faz recordar sem querer que viver é afinar um instrumento de dentro pra fora, de fora pra dentro. Mas esse papo já ta qualquer coisa e em outras palavras, como diria Manuel o audaz, esta tudo certo, como dois e dois são cinco na musica popular brasileira. Devagar, devagarzinho, Fui.
Mozart Alves de Almeida Jr
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