Imagem: Arquivo
Às vezes somos levados a entender o turbilhão de emoções e sentimentos que nos fazem pensar como chegamos até aqui. Quantas vezes pessoas que não entendem o que podem acarretar com ações e palavras cometem atitudes em nome de um poder, de uma liderança que é temporária, e com isso mudam toda a vida das pessoas que não estão no poder — simples assim. Hoje acordei com o coração em prantos; pensei no quanto é triste ver histórias serem desrespeitadas. Se vocês ainda não entenderam, estou falando da ESCOLA MUNICIPAL UBERABA, uma senhora de 80 anos, com moradia fixa, que de repente — não mais que de repente — foi despejada. Sim, para quem ainda não sabe, o desrespeito com a história dessa senhora, que formou vários nomes ilustres dessa cidade, tomou proporções inimagináveis. Realmente a Escola Municipal Uberaba vai mudar de endereço. Estou aqui há cerca de 24 anos, nos quais fui me apaixonando cada dia um pouco mais. Antes de mim vieram muitos, afinal é uma longa história, né? Acredito que essas pessoas que passaram pela escola estão hoje com a mesma incredulidade e tristeza que me assolam, mas o que fazer? Como eu disse, poder é o que move o mundo.
Penso em uma época em que a escola era laureada por estar entre as primeiras colocadas no SAEB, que colocava no Instituto Federal, todos os anos, vários alunos, que era o exemplo da rede, que sempre era coroada com alegria e orgulho pelos nossos dirigentes maiores. Mas o que aconteceu? A escola mudou? Os profissionais não se empenham? Nada disso! O que mudou foi a gestão municipal, que não vê a grandiosidade desses profissionais, que mancha a imagem da escola, que quer apagar toda uma história!
Muitos vão falar: “Essa professora só não quer mudar de prédio, está apegada”. Pois que falem, porque estou falando de história, de amor nessas paredes, nos arcos, em cada parte da escola que vi ser construída ou reformada; enfim, em um mundo infinito de corre-corres e buscas que formaram esse instituto de educação no que ele é hoje. Desculpem o desabafo, mas não poderia deixar esse momento passar sem honrar os antepassados desse centro que se rendeu, nestes 80 anos, ao grande espetáculo de ensinar — para a vida, para o mundo — e que hoje, sem explicações, sem justificativas, sem nem mesmo nos consultar sobre nossos anseios, se desfaz, fecha as portas. Ah, para abrir em outro lugar, mas… ficam aqui as entrelinhas.
Sandra Regina Lima de Almeida
Pedagoga / pós-graduanda em neuropsicopedagogia e professora da escola municipal Uberaba há 24 anos

