Oficina de alfabetização tem aproximado adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas da leitura, escrita e da matemática. A iniciativa da Prefeitura de Uberaba oferece aulas semanais individualizadas para oito jovens acompanhados pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas).
“Estou aprendendo muitas coisas. Ela [professora] está me ensinando matemática, me ensinando a ler também. Vale a pena, é bom”, disse um dos adolescentes, de 18 anos.
O Creas, vinculado à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, é responsável pelo atendimento e acompanhamento de 41 jovens em cumprimento de medidas socioeducativas de Liberdade Assistida (LA) e de Prestação de Serviços à Comunidade (PSC).
A Secretaria Municipal de Educação (Semed), por sua vez, montou na unidade uma sala de aula equipada com carteiras, lousa e materiais didáticos, por meio do projeto de alfabetização Crescer Trilhando Caminhos de Saber e Transformação. A Secretaria também fornece kits escolares aos estudantes e disponibiliza uma professora da rede para as aulas.
“O objetivo é fazer com que os adolescentes concluam os estudos e melhorem o rendimento escolar, sem constrangimento pela diferença entre a idade e o nível de escolaridade”, afirmou a assistente social do Creas, Patrícia Moreira Teixeira.
Professora da rede municipal de ensino, Soraia Gorette Fernandes Gouvea, ministra as aulas no Creas. O nível de escolaridade de cada jovem é identificado a partir de um diagnóstico conduzido pela professora no primeiro encontro, o que permite que as aulas sejam adequadas às necessidades de cada aluno.
“Depois que o vínculo é criado, as aulas fluem. Eu percebo que a gente leva esperança para eles. O meu papel é mostrar que o estudo é o caminho para um futuro melhor. E isso vai além da alfabetização”, relata.
Para a diretora de Apoio à Educação Básica da Semed, Luciana Cruvinel, o projeto Crescer Trilhando Caminhos de Saber e Transformação é “mais uma forma para garantir dignidade e oportunidades a esses jovens, diante de um cenário muitas vezes desafiador dentro e fora da sala de aula.”
Conforme a gerente do Creas, Camila Tertuliano, além da alfabetização, outra atividade oferecida no local é a “oficina de emoções”. Em rodas de conversa em grupo, conduzidas por profissionais de psicologia e assistência social, jovens em cumprimento de medida socioeducativa refletem sobre temas transversais e expressam suas percepções.
“No início, imaginamos que poderiam ficar tímidos, mas logo se soltaram. Agora, já perguntam quando será o próximo encontro e qual tema será discutido”, conta a gerente. A participação na oficina de alfabetização e nas rodas de conversa em grupo é opcional para os adolescentes. “Faz bem a eles e é ainda mais gratificante para a equipe, que percebe o impacto do trabalho na vida deles”, ressaltou.
As medidas socioeducativas são aplicadas pelo Judiciário a jovens de 12 a 18 anos em razão de prática de ato infracional. As medidas em meio aberto, como a LA e a PSC, são adotadas em casos menos gravosos e cumpridas sem privação de liberdade.

