Em reunião na terça-feira (7), no Sindicato Rural (SRU), o Conselho de Previsão de Safra de Uberaba confirmou área plantada de 85.100 hectares de soja no Município. O grupo aproveitou para lançar a programação de palestras/ano, sendo que a primeira, de quatro edições, será sobre Gripe Aviária.
Da atual safra de soja, os conselheiros informaram que 42% das lavouras já foram colhidas em Uberaba. Segundo o Conselho, a área plantada fechou mesmo em 85.100 hectares, números apontados na reunião de fevereiro e agora sacramentados. A área não chegou aos 90 mil estimados, mas é superior aos 83.600 hectares de soja plantados na safra passada. Um crescimento de quase 2%.
Já o milho verão, cuja colheita é prevista para abril, teve área plantada de 24.500 hectares, para os 19.700 da lavoura de 2022. O avanço no Município foi de 24%. Crescimento também para o milho silagem. O cultivar atingiu 13.600 hectares neste ano. Total de 1.300 hectares a mais do que a safra passada (12.300 hectares), perfazendo um aumento de 10,5%.
Em contrapartida, de acordo com os conselheiros, o milho safrinha poderá ficar longe da previsão inicial de 40 mil hectares. De acordo com Petrônio Silva, extensionista da Emater, a janela para plantio do grão fechou em fevereiro e o que se vê no campo é uma tendência do produtor em plantar bem mais sorgo (93%), do que milho.
“Outros sinalizam que vão plantar girassóis e ainda, de acordo com a Conab, está havendo no mercado, significativa venda de trigo semente”, disse o técnico enfatizando que, ao se confirmar esta opção do momento, a lavoura de sorgo, na safrinha, deve superar bem os 30 mil hectares, inicialmente, estimados.
Um ponto preocupante, levantado na reunião desta semana, é quanto à degradação do solo por falta dos tratos necessários. Segundo o produtor e representante do SRU, Luciano Valim, o agro tem verificado a entrada de pessoas que não são profissionais e sim, investidores (aventureiros), que estão atrás apenas da lucratividade. “Eles não têm feito o manejo adequado da terra e a longo e médio prazo as consequências tendem a ser sérias.”
Para quem arrenda, hoje, o lucro chega a ser exorbitante (tem gente pagando até 28 sacas de soja por hectare). Mas daqui a uns anos, quando pegar a terra de volta, o proprietário assustará, inclusive no bolso, com o alto nível de degradação do solo”, alertou Valim.
E é pensando em casos como esses, de manejo incorreto, como outros problemas que acometem o agro, que o Conselho de Previsão de Safra de Uberaba, vai lançar, em breve, com ajuda de parceiros, Ciclo de Palestras. Informou o secretário do Agronegócio, Agnaldo Silva, que o primeiro evento deverá acontecer na segunda quinzena de abril e dará ênfase à Gripe Aviária.
“A doença foi registrada em países vizinhos e, assim, precisamos alertar os nossos produtores, sobretudo os pequenos, quanto às medidas a serem tomadas. Já o tema a seguir, no final de maio, deverá tratar do Manejo. A falta de cuidados com o solo preocupa os conselheiros e a ideia é trazer palestrantes a fim de atualizar e inovar neste setor e melhorar a nossa produtividade, como tem se verificado em outras regiões do Brasil”, relatou.
Ainda na reunião, o Conselho de Safra informou sobre a queda na área plantada de cana de açúcar em Uberaba, que dos 117 mil hectares, em 2022, caiu para 115 mil hectares neste ano, e a estimativa para a cultura de trigo que pode chegar à casa dos 10 mil hectares, em 2023.
Participaram dos trabalhos do Conselho, representantes da Sagri, Emater, Sindicato Rural, Certrim, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Aprosoja.

