Acidez Urbana por François Ramos & Leilane Vieto

Compartilhe este post

Em 2020, tudo indicava que aquela jovem, desconhecida pela maioria da população, habilitara seu nome para ser apenas mais uma coadjuvante na corrida deflagrada para a sucessão do então prefeito Paulo Piau. Ela, colocou seu nome à disposição do eleitor Uberabense pelo Solidariedade. No início da campanha, nem o mais otimista dos analistas políticos sequer especulava a possibilidade de uma mudança tão radical. Afinal, nomes experientes como o dos então deputados estaduais Tony Carlos e Heli Andrade estavam no páreo e se classificavam muito à frente dos demais candidatos nas pesquisas de opinião pública. A possibilidade de mudança repousava na dobradinha formada pelos ex-vereadores Tiago Mariscal e Kaká Carneiro. Mas, assim como no futebol, a política pode surpreender: finalmente chegara o momento de uma mulher comandar a Prefeitura de Uberaba. E ela é a convidada de hoje da Coluna Acidez Urbana! Com o leitor Elisa Araújo.

   Foto: Divulgação/PMU

François Ramos (FR) – Fale um pouco de você. Quem é Elisa Araújo Gonçalves?
Elisa Araújo (EA) –
“Eu sou a Elisa!” Eu falava assim na eleição quando as pessoas não me conheciam, mais de 70% da comunidade não sabia quem eu era. A forma de me apresentar então, era simples: Eu sou a Elisa. Acredito que não temos que valorizar sobrenome e nem status social, precisamos valorizar as pessoas. Afinal, na política somos pessoas no desempenho de uma missão muito nobre, que é fazer a atividade de servidor público, ter como objetivo real o bem pra população.

No cargo executivo temos a oportunidade de fazer mais! De promover realizações que de fato represente transformação positiva na vida das pessoas. Eu sou hoje muito feliz de estar na vida pública nesse sentido, pois eu me encontrei aqui. Claro, tem dias que é muito difícil! Mas, quando eu encontro a comunidade e as pessoas olham nos meus olhos e são verdadeiras ao externar sua alegria com aquilo que fazemos pelo bem da cidade, emerge a convicção de que todo o esforço para superar os obstáculos do dia-a-dia vale a pena.

Elisa é uma mulher dedicada, muito comprometida com tudo que assume. Sou mãe do Bento (12 anos) e esposa do Juliano, de quem estou junto há mais de 16 anos. Sou uma pessoa muito idealista. Aliás, acredito que entrei na vida pública em função desse meu idealismo, é isso que está no meu coração, eu não me encanto com o poder, eu sei que isso tudo é passageiro e enquanto eu estiver aqui eu vou fazer o meu melhor por quem confiou e também por quem não confiou no meu trabalho, pois a pessoa pública governa para melhorar a qualidade de vida de todos.

FR – As mulheres conquistaram o direito de votar em 24 de fevereiro de 1932. No ano seguinte, na eleição para a Assembleia Nacional Constituinte, elas, pela primeira vez, em âmbito nacional, puderam votar e serem votadas. Contudo, por força de uma Lei estadual, a cidade de Lajes, no Rio Grande Norte, anos antes, em 1928, elegeu a primeira prefeita do Brasil: Alzira Soriano. Feito que Uberaba somente veria acontecer em 2020, com a sua eleição. O que representa para você ter se tornado a primeira mulher a comandar o Executivo municipal em uma cidade tão conservadora?
EA –
É uma grande responsabilidade! Primeiro porque não se trata apenas de uma questão de gênero, a gente tem que ser escolhida pela capacidade. Segundo, porque ser mulher na política é puxar a fila para que mais de nós ocupem os espaços de liderança, os espaços que elas quiserem. É preciso dar condições para que elas se sintam corajosas, dispostas a enfrentar os desafios para assumir esses lugares, pois, muitas vezes ocorre o contrário, somos desestimuladas de participar. Não raro, a gente se depara com um cenário, como esse ainda presente na política, que menospreza que tenta desconstruir a mulher enquanto pessoa, desmerecer sua capacidade. Trata-se de um contexto desafiador! Então, a minha principal missão é encorajar as mulheres para que elas assumam as rédeas de suas vidas, acreditem em sua capacidade de liderança, que assumam os lugares para os quais elas se prepararam e estejam onde elas quiserem, e, em especial, na política. Afinal, somos mais de 50% da população. Que a gente se movimente e dê as mãos umas para as outras. Esse é um trabalho que faço e vou continuar fazendo: fortalecer a liderança das mulheres na política. Tenho feito muitas palestras, muitos encontros com mulheres, não só em Uberaba, mais também fora da cidade, encorajando o público feminino a participar da política e contando um pouquinho da minha história. Precisamos estimulas as mulheres para que elas não desistam de seus sonhos, pois a política é um espaço que precisa de pessoas boas, de gente trabalhadora. Infelizmente muita gente ruim consegue se eleger porque os bons se calam, não se colocam à disposição.

    Foto: Reprodução/WhatsApp

FR – Você era considerada uma novata na política em 2020, mas em uma eleição pela presença de dois detentores de mandato na Assembleia Legislativa estadual, logo no primeiro turno tirou do páreo o candidato do governo. Conseguiu obter impressionantes 85.990 votos no segundo turno representando 57,36%. Como conseguiu, no pouco tempo que a campanha eleitoral proporcionou, convencer o eleitor que era a melhor opção para a Prefeitura de Uberaba?
EA –
Eu trabalho com uma coisa que se chama verdade! Quando você olha no olho do eleitor é preciso passar confiança pra ele. Eu apresentei a verdadeira Elisa, somente Elisa, e, naquele momento estava ali para ouvir a comunidade. Era o que mais importava. A comunidade precisa ser ouvida. Enquanto candidato ou já a frente da gestão pública é preciso saber ouvir o povo, pois é da comunidade que se extraem as demandas para elaborar propostas de acordo com a real necessidade. É o que a cidade precisa, então eu percorri Uberaba inteira, sem preguiça, olhando no olho, e acima de tudo, falando a verdade. Quem perguntava: você pode me dar uma casa? Eu respondia transparente: Não posso te dar uma casa, ninguém vai te dar uma casa, a casa é objeto de um programa social que você paga por mês, é subsidiado pelo governo federal, mas você paga. Então, quem teve uma casa, recebida por um programa, não ganhou de ninguém.
É importante que a comunidade entenda e comece a desconstruir aquelas formas absurdas, aquelas velhas práticas políticas mesmo, por isso que eu dizia muito isso na eleição (de 2020): eu combati as velhas práticas políticas e, talvez, a comunidade também estivesse cansada de tudo aquilo. Uberaba queria mudança, e eu acredito que cheguei à Prefeitura porque a comunidade acreditou na minha proposta e no compromisso de fazer diferente.

FR – Cidades da região elegeram mulheres para comandar suas prefeituras antes de Uberaba, entre elas a cidade de Delta, que teve Lauzita Rezende, e de Conquista, com Vera Lucia Guardieiro, que em 2020 foi reeleita para voltar ao Executivo. Na sua perspectiva a participação da mulher na política local e regional tem assumido uma configuração de crescimento positivo? Como aumentar a representatividade feminina em cargos eletivos?
EA –
A participação das mulheres aqui em Uberaba e na região ampliou, porém nós temos ainda muito chão pela frente. Temos que fazer mais, pois, nós temos muitas mulheres capazes de assumir cargos políticos públicos de liderança, independentemente de ser do Executivo, exercer o cargo de prefeita, elas também devem estar nas secretarias. Nós temos aqui um número significativo na prefeitura mais de 73% de cargos de chefia liderados por mulheres. Ao todo são 12 mil servidores públicos municipais e 75% são mulheres. Então não poderia ser diferente em relação aos cargos de liderança, a gente precisava trabalhar para a conquista dessa representatividade nos cargos de chefia. Mas o que a gente pode fazer é promover a capacitação do movimento e é isso que eu tenho feito, um trabalho em Uberaba e região para que mais mulheres entrem na vida pública e na política para que a gente possa ocupar os espaços.
Dentro da nossa coligação pré-candidatura, temos um partido que conseguiu juntar 70% de mulheres na formação da chapa a ser apresentada para as eleições proporcionais. O feito do Partido da Mulher Brasileira, é um grande marco para a cidade. Isso nunca aconteceu. Essa foi uma meta que me orgulho de ter ajudado a construir quando pedi aos integrantes da sigla que fizessem jus ao nome do partido e a gente pudesse ter ali uma representatividade feminina significativa.
E você conversa com as mulheres (eu tenho conversado com todas as pré-candidatas) e elas estão muito animadas. Elas não vieram porque foram obrigadas, mas sim porque querem ser protagonistas, e estão muito animadas. E é isso que faz a diferença!

FR – Apesar deste ser o seu primeiro mandato eletivo, observa-se que hoje resta consolidada como uma liderança respeitada pelos prefeitos da região. Prova disso é que se tornou a primeira mulher a presidir a AMVALE (Associação dos Municípios da Microrregião do Vale do Rio Grande) e, hoje, apresenta-se como uma interlocutora das demandas regionais junto aos governos estadual e federal. Como é, em tão pouco tempo na política, tornar-se portadora de tanta responsabilidade?
EA –
A prefeita novata ela ficou pra trás desde o primeiro ano. Foram muitos desafios, desde o início. Primeiro porque a gente chegava aqui com a necessidade imediata de fazer um diagnóstico completo: O que eu tenho pra pagar? O que eu tenho de contrato? Como eu vou dar o tom da minha administração dentro da gestão pública? Enfim, com um primeiro ano de muito empenho, a casa arrumada, um bom planejamento feito, e um ano eleitoral logo ali, em 2022, os desafios se tornaram ainda maiores. Então, o que eu vejo hoje é uma Elisa muito mais madura, conhecedora de cada canto da Prefeitura. Eu não terceirizo a administração, eu encampo os problemas e tomo as decisões necessárias. Conhecer a máquina como um todo faz a diferença para quem está aqui nessa cadeira e precisa decidir pelo bem de toda uma cidade. Neste processo, nem sempre vai agradar a todos, mas a decisão tem que ser sempre a melhor para o uso do dinheiro público e o benefício da população, mesmo que ela demore para compreender, pois o resultado nem sempre é imediato, não raro vem a médio e longo prazo.
Dentro da AMVALE a minha liderança foi muito natural. Alguns dos prefeitos que integram a Associação eu já conhecia em razão de integrar a regional da FIEMGE, o que me proporcionou visitar os municípios e conhecer a região muito bem. Sei dos problemas que enfrentam. Conheço alguns prefeitos que foram a reeleição e os outros, que estavam chegando como eu, acabei conhecendo já como prefeita. Nesse momento eu senti uma carência muito grande desse trato com eles por Uberaba, que é uma cidade polo. Uberaba tem uma grande responsabilidade com os municípios da região. Recebemos muitos pacientes aqui, vários serviços essenciais são feitos aqui na cidade por não estarem disponíveis em municípios menores. Então, o que precisava era desse acolhimento, desse diálogo, de estruturar saúde da região para que Uberaba não ficasse com o gargalo. Assim, temos trabalhado em conjunto soluções para os municípios. Não penso só em Uberaba, mas sim em toda a região, porque uma região forte vai trazer uma força muito maior para a nossa cidade também. Uberaba está resgatando essa liderança regional que sempre foi dela, mas que foi perdida ao longo do tempo, porque ficaram só pensando no próprio umbigo. Lideranças não pensaram de uma forma macro na responsabilidade de Uberaba e também no bônus que nós podemos ter ao sermos uma cidade polo, afinal de contas todo mundo gasta dinheiro aqui, então ser cidade polo não é só ônus, tem bônus também. Dessa forma, os prefeitos confiam muito em mim, fizeram a escolha do meu nome para assumir não só a AMVALE mas também a SISTRISUL e a gente deu uma nova cara, e aí eu também faço referência ao prefeito Bágua (Sacramento), que me antecedeu na AMVALE, instituição que tinha sérios problemas, você sabe bem disso! Sérios problemas com investigações mesmo, problemas de credibilidade da entidade, processos enfim, com muito trabalho conseguimos dar a volta por cima e hoje a AMVALE tem a credibilidade que tem em função dessa união dos prefeitos. Vários tinham deixado a Associação e agora retomaram. Estão de volta na AMVALE porque entenderam que é uma instituição séria e que trabalha pelo desenvolvimento regional..

  Foto: Divulgação/AMVALE

FR – A Câmara Municipal de Vereadores ostenta hoje a maior representação feminina de sua história. As mulheres ocupam 4 das 21 cadeiras disponíveis no legislativo Uberabense. Um legado deixado pela luta de mulheres como Lélia Inês Teixeira, Teresinha Cartafina e Marilda Ribeiro. Novas eleições proporcionais se aproximam. Será 2024 o ano em que as mulheres conquistarão equidade entre os nomes eleitos para a vereança?
EA –
Eu espero que sim, espero que elas estejam unidas, isso vai fazer toda a diferença nas políticas públicas construídas aí para a mulheres.

FR – A corrida eleitoral já começou. Fenômeno que, aliás, teve início já no segundo semestre do ano passado. Vários pré-candidatos se habilitam à chance de se tornarem seus sucessores e algumas posturas das adotadas, especialmente em redes sociais, já se apresentaram revestidas de muita agressividade, algo que deve piorar nos próximos meses. Até o momento sua postura tem sido discreta e comedida, mas como pretende agir para evitar danos consequentes de condutas desleais durante a campanha eleitoral?
EA –
Para cada mentira eu tenho uma obra pra entregar! Para cada desgaste que eles tentam me fazer, eu estou trabalhando pelo nosso povo. Eu não tenho que entrar em embate, em discussão com gente que fala mentira, com pessoas que só querem me destruir e não têm proposta nenhuma. Se alguém quiser debater propostas, eu estou à disposição, mas sem chance de ficar rebatendo ofensas pessoais e profissionais, eu não vou perder meu tempo com isso, porque o povo merece é solução para os problemas e não gente fazendo vídeo, falando besteira e até cometendo crimes.

FR – Em vídeo recente distribuído via WhatsApp, severas críticas ao seu governo e ao vereadores de sua base aliada foram tecidas. Afirma-se que o nível da política local é baixíssimo e que a senhoras ostenta apenas canaletas como marca de seu governo. De forma objetiva, quais são os principais feitos do governo Elisa Araújo e qual a importância da Câmara Municipal nestas realizações?
EA –
Eu vou falar das canaletas também, porque canaleta é sim um marco do nosso governo. Quem dirige em Uberaba sabe o que é bater um peito de aço. Então, quando os motoristas me encontram eles agradecem. Quem anda de ônibus sabe o que significa, o que talvez não seja o caso de quem criticou, não deve saber o que é isso, mas é fácil de explicar: trata-se de transformar a mais mobilidade, oferecer conforto para quem enfrenta o trânsito e mais segurança para todos. Eu tenho é dó desse menino que tenta desconstruir essa conquista da nossa cidade. Se é isso que ele tem pra falar, está faltando assunto.

Mas eu vou dar mais assunto pra ele, porque eu tenho muita coisa pra mostrar, e eu tive até que escrever, porque é tanta coisa que a gente fez ao longo desses anos de governo que é sempre um desafio tentar não esquecer alguma realização importante para Uberaba. Então eu comecei pelas canaletas, mas é preciso falar do asfalto. Quando eu entrei, em 2021, esse era um grande problema: nós temos 1600km de asfalto por toda a cidade e dentre eles 600km estavam em petição de miséria como diria minha avó. O estado da pavimentação e muitas vias era horrível, com muito buraco. Infelizmente, antes eles faziam uma camadinha fininha de asfalto, provavelmente pra poder fazer o recapeamento em período eleitoral pra poder enganar a população. A conta uma hora chega! Em 2021 herdei essa triste realidade: os buracos eram todos meus! O que eu tive que fazer? Comecei por um planejamento eficiente, conseguimos o recurso necessário e partimos para a execução das melhorias: foram 300 km de asfalto novo na cidade, Algo que Uberaba nunca viu acontecer. Detalhe: asfalto de qualidade, porque o pavimento precisa durar pelo menos 2 anos. O asfalto que era aplicado antes não durava um ano e já abria o buraco. Então, dentro dessa perspectiva, eu tenho muito orgulho de dizer que a nossa marca também é o asfalto.

Outra conquista importante se refere o outro problema muito sério. Eu sou mãe, e quando o filho da gente adoece, adoecemos junto: a gente fica mal. A saúde infantil do município, que atende também a população de outras da região, era toda concentrada em um único lugar, o Hospital da Criança. A instituição tinha falhas de gestão, precisava melhorar. Então nos aprofundamos nesse tema e fomos entender o que acontece, onde estavam as falhas na administração e como seria possível solucionar isso, descentralizar. Afinal, a cidade é muito grande e concentrar o atendimento em um lugar só não era o mais adequado. As famílias chegavam a esperar 7 horas para a criança ser atendida. Ouvimos a comunidade, as mães, e então resolvemos o problema da saúde infantil abrindo de volta a saúde infantil na UPA do Mirante e no Hospital Regional. Nossa UPA infantil, é um pronto socorro infantil. Eu estive lá pela manhã, visitei e ouvi as mães. Todas, afirmaram ter sido bem atendidas.

A reforma do Mercado Municipal, que era um desejo antigo da comunidade, é outra realização. Fizemos, de fato, acontecer. Importante lembrar que a execução da obra demorou um pouco mais do que o previsto porque a primeira empresa que assumiu abandonou o canteiro, não cumpriu o contrato. Claro, recebeu as sanções e agora a Prefeitura buscou uma nova empresa, o que exigiu uma nova licitação. Venceu uma empresa uberabense, o que nos deixa feliz, porque a gente pode bater na porta do proprietário que ele não vai fugir. Em Junho Uberaba terá seu Mercado Municipal entregue, e dentro do contexto Geoparque, um ponto turístico fantástico e que tem muito movimento de turista.
Tem também a reabertura da Mata do Carrinho, que por mais de 20 anos, a comunidade via pegar fogo, ser ocupada por andarilhos, eram cenas bizarras, até um cadáver foi achado por lá. Então nosso governo conseguiu entregar aquele espaço de volta pra comunidade, e mais: com qualidade e segurança. Importante dizer que a gente colocou o canil lá dentro, o que trouxe uma segurança maior. Outro dia inclusive a esposa de um jornalista do JM, que estava caminhando por lá, foi seguida por um homem meio suspeito e rapidinho a moto que integra as estratégias de segurança do local já foi atrás.

Foto: Reabertura da Mata do Carrinho/Reprodução/Instagram

E do lado da Mata do Carrinho tem o Memorial Chico Xavier, que nós também vamos entregar agora no final de junho, com projeto de museologia, moderno, interativo, assim como a história do médium merece.
O grande feito, e eu vou falar feito porque o primeiro passo foi dado, é o estudo de abastecimento da nossa cidade. A viabilidade de buscar água no Rio Grande foi comprovada tecnicamente. Será uma importante fonte de abastecimento para Uberaba, já apontada no passado e igualmente criticada por aqueles que se esquecem da necessidade de criar condições para o desenvolvimento, mas agora a cidade acordou para a necessidade de projetar o futuro, de projetar o crescimento sustentável da cidade, o que exige contar com essa importante fonte de abastecimento. Um plano de desenvolvimento que tem outras frentes, que incluem por exemplo parques urbanos.

Os parques urbanos eles tem que ser privatizados, eles vão passar por uma concessão e a gente vai ter a iniciativa privada cuidando desses espaços e explorando eles. Exatamente como acontece nas grandes capitais. Piscinão, Mata do Carrinho, Mata do Ypê e os parques que ainda vão ser construídos, como o Parque do Horto e o Tancredo Neves, que estão dentro do bojo do projeto “Desenvolve Uberaba” serão concedidos assim que estiverem prontos, para a inciativa privada. Fazer a manutenção dos parques demanda muito dinheiro, que com a privatização eu posso aportar, por exemplo, na saúde, na educação e na segurança pública, que são os pilares principais.

Não posso deixar de fora os novos reservatórios de água, nas pontas da cidade, porque são locais que há décadas convivem com o problema da falta de água. A distribuição não chega a muitos lugares, principalmente no sábado e domingo, que é justamente quando as pessoas estão em casa lavando roupa, limpando o imóvel. Então não dá pra esperar água do Rio Grande chegar. A gente já se adiantou e já fez novos centros de reservação.

Tem ainda a reforma completa da UPA do Mirante que lá a chuva só derrubou o telhado o resto já estava caído, bem destruído então a gente fez com muita qualidade a obra. Temos 2 unidades novas de saúde (São Benedito e Jardim Itália) e mais 8 estão em reforma.
Nós entregamos 4 escolas e temos mais 5 a caminho. Quando o governo abre uma escola mais próxima da casa das crianças, facilita a vida de todos. Tem gente que pega ônibus 4h da manhã pra chegar as 7h na escola. Esse é um investimento que traz mais dignidade pra comunidade. A educação não para de avançar em Uberaba.

A valorização do Servidor Público, também considero uma grande marca do nosso governo. A gente avançou muito! Temos muito que avançar, mas eu tenho muito orgulho de dizer que no nosso governo nós tivemos várias conquistas: manter o pagamento dos salários em dia foi um compromisso assumido e honrado. Aliás, o pagamento em dia, não é só para o servidor. Todos os fornecedores foram beneficiados com essa política.

É preciso lembrar de um projeto que ficou parado por mais de 10 anos: o Restaurante Popular. Nós viabilizamos sua concretização. Abrimos o espaço e proporcionamos alimento de dignidade pra quem mais precisa, com um preço bem pequeno.
O concurso público, da educação, foi o maior da história, e já estamos na quarta chamada dos profissionais. Vamos ver isso refletido em curto médio e longo prazo, na qualidade. Quando um servidor contratado entra, gera um vínculo com a comunidade, e quando o pacto se encerra e ele tem que sair é super difícil, algo que não acontece com o servidor efetivo. O concurso ele proporciona que esse vínculo com a comunidade, em especial do professor, não precise acabar.

Muita gente chorou que não veio a Heineken… eu também chorei! Eu também queria! Mas apenas 4 meses depois a gente anunciou o maior investimento da história pro município. A Atlas, que é uma empresa referência está vindo para Uberaba fazer um fertilizante chamado verde, o que vai ao encontro de todas essas iniciativas de sustentabilidade perseguidas não só pela cidade, mas por todo o mundo. É o maior investimento da história. A gente só lembra de algo semelhante quando a Fosfértil veio. A Atlas Agro chega com um investimento de 5 bilhões só na planta. Outros 5 bilhões é a previsão de investimento em placas solares em fazendas solares que aí podem ser em Uberaba e podem ser outras localidades, mais que é algo que é palpável. Eles têm um fundo de investimentos muito robusto em torno disso. Então eu considero também isso um dos grandes feitos do nosso governo, porque se não tivesse credibilidade, se não tivesse lei de incentivo atualizada, se não tivesse assim a boa relação que eu tenho com o governo do Estado, dificilmente esse investimento seria aportado aqui na cidade.

E por fim o Geoparque! Fruto de um trabalho que vem desde 2004, com o Professor Luiz Carlos e o SEBRAE. A reunião de tantos signatários te apoiando de forma técnica em todo o processo foi fundamental para assumir o desafio de submeter proposta à UNESCO. Receber o título, a avaliação deles, o reconhecimento que a gente reunia todos os requisitos, foi uma grande conquista. O nosso material, que foi elaborado ainda em 2021, é fruto de um trabalho robusto, que permitiu concretizar um grande feito para a nossa cidade, conquistando uma visibilidade internacional para o município: saiu em mais de 60 canais diferentes, internacional e nacionalmente conhecidos. Uberaba está agora na boca do mundo! Muita gente nos visitando: que logo a alta temporada seja permanente, pois o Geoparque Terra de Gigantes, com a continuidade do projeto, a exemplo de outras cidades, será um sucesso para o turismo e a economia local.

A boa relação com a Câmara Municipal foi e é fundamental no processo de desenvolvimento da cidade. Eu sempre conto onde eu vou e as pessoas nem acreditam. Estou prefeita, com um vereador eleito. E agora como que eu faço com os outros 20? Hoje, incrivelmente o que entrou comigo é oposição. A maioria entendeu a missão. O que eu ouço de relatos dos próprios vereadores, principalmente os que estão a mais de um mandato, é que isso nunca aconteceu. Essa relação, a proximidade, a prefeita acessível, a prefeita que entende as necessidades deles, e constrói soluções falando a verdade, porque eu também não dou tapinha nas costas. Eu tenho interesse em construir com eles, afinal são legítimos representantes da comunidade, assim como eu. Tenho a obrigação de ouvi-los, nem sempre a gente vai concordar, mais se pudermos falar a mesma língua, quando se trata dos interesses da população, vamos encontrar caminhos produtivos, fazendo pontes e trabalhando pelo que for melhor para a cidade.

    Foto: Divulgação/PMU

FR – Você foi vítima recente de atentados que envolveram a aquisição de telefones celulares em seu nome e até mesmo de clonagem de seu número pessoal visando a prática de golpes via WhatsApp. Com o início das investigações, a senhora tem alguma convicção formada a partir das informações inaugurais sobre qual seria a motivação para esses crimes?
EA –
A minha convicção é que eles querem o poder pelo poder a todo custo, mesmo que isso signifique cometer crimes e ter que reunir inimigos pra fazer tudo contra mim. Eles ainda não entenderam que isso não é a missão de estar na vida pública. Os infratores penais tentavam fazer ações pra me desmotivar, pra me atacar e o que eu posso dizer a eles é que eu não vou parar, podem tentar o quanto for que eu não tenho medo dessa gente! Vou continuar com o meu propósito, fazendo as transformações que Uberaba precisa, merece e estão todas no caminho certo. Tomarei todas as medidas cabíveis para proteger o meu CPF, a minha integridade, a minha família e a todos os meus que estão trabalhando por Uberaba. Então os criminosos vão ter que pagar pelo que eles fizeram: eu não vou passar pano! E seja quem for, se tiver do meu lado, se for meu “amigo”, vai pagar caro porque eu acho que isso é inadmissível. Por isso que a política foi tão hostilizada nos últimos tempos. Teve muita gente ruim como esses aí na política, capaz de fazer de tudo pelo poder. Acho que mais do que a minha missão de me defender nesse processo todo, é preciso mostrar pra comunidade que esse tipo de gente não pode entrar na política, que deve ser lugar de gente de bem, de pessoas trabalhadoras.

FR – É incontroverso que as relações com seu companheiro de chapa nas eleições de 2020 não fluíram como se esperava após as eleições. Como será o processo de escolha do candidato para caminhar como vice-prefeito ao lado de Elisa Araújo? Quais são as qualidades desejadas?
EA –
Eu espero que a gente consiga encontrar um nome bem tranquilo de gente que queira trabalhar, que queira nos ajudar a continuar a prosperidade da nossa cidade, ainda não temos definição nenhuma, temos alguns nomes ventilados.

Confira outras notícias: