



A Secretaria Municipal de Saúde de Uberaba, por meio da Vigilância Epidemiológica, divulgou nesta semana o Boletim Epidemiológico sobre violência sexual contra crianças e adolescentes no município, com dados referentes ao ano de 2025. O levantamento tem como objetivo dar mais visibilidade a este problema, fortalecer as ações de prevenção e aprimorar o fluxo de atendimento às vítimas.
De acordo com o boletim, foram notificados 302 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes residentes em Uberaba em 2025, o que representa uma média de 25 registros por mês, ou praticamente um caso por dia. A maior parte das notificações refere-se a estupro, totalizando 232 casos, sendo que 80% correspondem a estupro de vulnerável, quando a vítima tem menos de 14 anos.
Os dados também mostram que 69% das vítimas são meninas e 31%, meninos. Em relação à faixa etária, a maior concentração de casos ocorre entre 10 e 13 anos, que representam 39% das notificações.
Outro ponto destacado pelo boletim é que, na maioria das situações, o autor da violência faz parte do círculo de convivência da vítima, incluindo conhecidos, familiares ou pessoas próximas. Os casos envolvendo desconhecidos correspondem a uma parcela menor dos registros. A identificação do autor da violência como “outra criança ou adolescente” aparece como o segundo grupo mais frequente, totalizando 14% dos registros. O dado pode indicar a possível reprodução de ciclos de violência.
O documento também apresenta informações sobre o fluxo de atendimento no município. Em 130 casos, as vítimas foram atendidas em até 10 dias no hospital de referência, enquanto 123 casos foram identificados após esse período e encaminhados para acompanhamento especializado. Outros 49 registros não seguiram o fluxo municipal estabelecido, o que reforça a necessidade de integração entre os serviços da rede de proteção.
Segundo a referência técnica em Vigilância das Violências da Secretaria Municipal de Saúde, Raissa Mazeti, o boletim é uma ferramenta fundamental para orientar as ações da rede de cuidado e proteção.
“Mais do que números, esses dados representam histórias que precisam ser acolhidas com responsabilidade e sensibilidade. O boletim nos ajuda a compreender melhor o cenário da violência sexual contra crianças e adolescentes no município e a fortalecer estratégias de prevenção, identificação precoce e atendimento adequado às vítimas”, destacou.
Ela ainda ressaltou que os números representam apenas parte da realidade, uma vez que estudos indicam que muitos casos de violência sexual ainda permanecem subnotificados. Estima-se que os registros representem menos de 10% dos casos reais, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
“Em caso de suspeita ou confirmação de violência contra crianças e adolescentes, denuncie, para que as vítimas possam receber proteção e atendimento adequado”, alertou Raíssa.

