Imagem: Arquivo
A Prefeitura de Uberaba, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social (Seds), concluiu o Diagnóstico Municipal da População em Situação de Rua de 2026. Realizado entre julho e setembro, o levantamento reuniu entrevistas com 264 pessoas: 231 declararam ser munícipes de Uberaba (87,5%) e 33 foram identificadas como itinerantes (12,5%). Os resultados vão orientar o planejamento e o aprimoramento dos serviços da rede de proteção.
A distinção entre esses públicos é importante para organizar o atendimento. Para as pessoas residentes no município, os dados subsidiam o acompanhamento continuado e a articulação com serviços de Saúde, Educação, qualificação profissional e geração de renda. Para as itinerantes, a rede considera também a mobilidade e a permanência temporária, com acolhimento e encaminhamentos adequados a cada trajetória. A Casa de Passagem é a unidade municipal específica para o acolhimento desse público.
As entrevistas foram feitas pelas equipes do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP) e do Serviço Especializado em Abordagem Social (Seas). O Departamento de Vigilância Socioassistencial ficou responsável pela sistematização, análise dos dados e elaboração do diagnóstico.
Entre os entrevistados, 94,7% foram registrados como do sexo masculino e 86,4% tinham entre 30 e 59 anos. Mais da metade, 51,9%, tem ensino fundamental incompleto. Os vínculos familiares estavam fragilizados em 54,2% dos casos e rompidos em 31,1%, reforçando a importância do acompanhamento individualizado e das estratégias de aproximação familiar, quando possíveis.
Segundo a gerente do Centro POP, Raiane Matos, o diagnóstico anual permite compreender as trajetórias e ajustar o trabalho às necessidades identificadas.
“Temos aprofundado os estudos de caso, a busca por familiares e as estratégias de fortalecimento dos vínculos. Também orientamos sobre o acolhimento socioassistencial, que tem finalidade diferente do tratamento da dependência química. Cada pessoa precisa de um acompanhamento que considere sua história, suas escolhas e seus projetos de vida”, destacou.
A chefe do Departamento de Vigilância Socioassistencial, Vânia Guarato, ressaltou que os resultados devem ser compreendidos como um retrato das pessoas entrevistadas no período, considerando a mobilidade desse público.
“Separar os dados de munícipes e itinerantes ajuda a compreender demandas diferentes e a organizar respostas mais adequadas. O diagnóstico permite identificar necessidades, orientar o planejamento e acompanhar os serviços, mas precisa ser atualizado e complementado pela escuta permanente das pessoas atendidas. O diagnóstico não é um fim em si mesmo, mas um instrumento dinâmico: ele mapeia a realidade para direcionar ações, e depende da escuta qualificada e contínua para se manter fiel às necessidades reais das pessoas atendidas”, explicou.
Para a secretária de Desenvolvimento Social, Anna Maia Jampaulo, os próximos passos envolvem fortalecer a integração entre as políticas públicas.
“Queremos utilizar essas informações para melhorar o atendimento e construir caminhos de autonomia. Isso exige trabalho conjunto entre Assistência Social, Saúde, Educação e as áreas de qualificação profissional e geração de renda. Nosso compromisso é acolher com respeito e oferecer acompanhamento para além das necessidades imediatas”, afirmou.
O documento completo está disponível na página da Seds, dentro do portal da Prefeitura de Uberaba, através do endereço: https://portal.uberaba.mg.gov.br/secretaria_paginas/303/1.







