Uberaba -MG – Imagem arquivo
A Prefeitura de Uberaba, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Seds), tem fortalecido estratégias inovadoras no enfrentamento da violência contra a mulher. Uma delas é conduzida pelo Centro Integrado da Mulher (CIM), que aposta na escuta e na reflexão com homens como ferramenta de prevenção, conscientização e transformação de comportamentos.
A iniciativa consiste na criação de grupos reflexivos que abordam temas como machismo estrutural, masculinidades, relações de poder e responsabilidade dos homens na prevenção da violência. “Objetivo é promover diálogo, escuta e conscientização sobre as diversas formas de violência contra a mulher”, explicou a coordenadora do CIM, Fernanda Mendes.
A proposta busca ir além da responsabilização, atuando também na prevenção. Durante os encontros, os participantes são convidados a refletir sobre padrões culturais naturalizados e suas consequências nas relações. “A proposta é criar um espaço seguro de reflexão, no qual os participantes possam compreender como comportamentos naturalizados socialmente podem gerar ou perpetuar violências”, completou Fernanda.
Idealizado pela psicóloga Sandra Regina de Souza, o projeto tem caráter psicoeducativo e preventivo, com foco na transformação das relações e no cuidado com a saúde mental masculina. “Os encontros com grupos de homens incluem discussões e reflexões sobre gênero, autocuidado, adoção de relacionamentos saudáveis e estratégias assertivas de comunicação”, completa Sandra.
O primeiro grupo foi formado como projeto-piloto no Caps AD, entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026. A experiência está em fase de avaliação técnica, com retorno positivo dos participantes, especialmente quanto à importância dos espaços de diálogo.
Além dessa ação estruturada, o CIM já promoveu atividades pontuais em diversos espaços da cidade, como empresas, equipamentos públicos e instituições de segurança, ampliando o alcance das discussões sobre masculinidades e prevenção da violência.
O secretário municipal de Desenvolvimento Social, Ernani Neri, que acompanha o projeto, reforçou que enfrentar a violência contra a mulher exige atuação direta sobre os homens. “Não é possível combater a violência contra a mulher sem responsabilizar e conscientizar os homens. Essa é uma pauta que precisa ser tratada com seriedade e enfrentamento. Estamos investindo nesse trabalho porque ele atua na origem do problema e promove mudança real de comportamento”, afirmou.
Ernani também destacou que a ampliação da iniciativa já está no radar da gestão. “Estamos analisando tecnicamente essa experiência para expandir os grupos reflexivos para os Cras e também para escolas da rede municipal. Precisamos agir antes que a violência aconteça”, completou.
A proposta agora é expandir o projeto e formar multiplicadores, fortalecendo a rede de prevenção. “Quando os homens são convidados a participar dessas reflexões, abre-se a possibilidade de romper ciclos de violência e construir novas formas de masculinidade, baseadas no respeito e na equidade”, reforçou Fernanda.

