Em alusão ao Dia Nacional da Visibilidade Trans, celebrado nesta quinta-feira, 29 de janeiro, o Centro de Referência em Saúde da População LGBTQIAP+ (Cresp) de Uberaba promoveu uma roda de conversa com pacientes, familiares e pessoas da comunidade, além de uma intervenção artística simbólica no espaço da unidade.
A atividade teve como objetivo promover reflexão, escuta e troca de experiências sobre histórias de vida, lutas cotidianas, autoconhecimento, relações familiares e o papel da sociedade no enfrentamento do preconceito e da exclusão social vivenciados pela população trans.
Como parte da programação, o Cresp recebeu intervenção artística pontual, com a produção de duas artes visuais, assinadas pelos artistas JR Godoy e Rickele Santos, a bandeira LGBTQIAP+ e a imagem da cantora e artista Liniker, referência nacional na luta por visibilidade, representatividade e afirmação da população trans. A iniciativa marca o início de um projeto artístico contínuo, que pretende, ao longo dos próximos anos, ampliar o diálogo entre arte, saúde e direitos humanos, com novas intervenções inspiradas em personalidades como Angela Davis, Ney Matogrosso e João Nery, fortalecendo o Cresp como espaço de acolhimento, memória, resistência e diversidade.
Para a gerente do Cresp, Nayara Arantes, a Visibilidade Trans vai além de uma data simbólica. “Não se trata de falar sobre esse tema apenas em um dia específico. A saúde e o cuidado com a população trans e LGBTQIAP+ precisam estar em pauta todos os dias. A política de saúde preconiza um cuidado integral, mas sabemos que, na prática, ainda há muitas barreiras de acesso. O Cresp existe justamente para garantir que essa população, historicamente marginalizada, consiga acessar serviços de saúde com dignidade”, destacou.
O Cresp funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, com atendimento por demanda espontânea. A unidade conta com equipe multiprofissional formada por clínico geral, ginecologista, psiquiatra, nutricionista, assistente social, psicólogo, enfermeiro, além da realização de coleta de exames, garantindo atendimento integral conforme a necessidade de cada usuário.
Durante a roda de conversa, o usuário do serviço Zyan Mateus Silva, homem trans e Mister Trans Uberaba 2025, compartilhou sua trajetória e reforçou a importância de espaços seguros. “Mais do que falar sobre visibilidade, é preciso falar de direito. Somos pessoas, fazemos parte da sociedade e precisamos de espaços seguros para existir e resistir. Ainda são poucos os lugares onde a população trans se sente acolhida”, afirmou.
Zyan também destacou que o processo de transição é contínuo e atravessa diferentes dimensões da vida. “O autorreconhecimento e o autorrespeito são atos de amor-próprio que levam tempo. A transição não é só física, é uma construção constante da identidade. Espaços como o Cresp fortalecem esse processo e ajudam a enfrentar as microviolências do dia a dia”, completou.

