Folha Uberaba Agro

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Eficiência

O agronegócio brasileiro consolida uma transformação silenciosa, mas profunda. Em diferentes cadeias produtivas, os números mostram que eficiência deixou de ser apenas meta e passou a ser método. Da reprodução suína ao melhoramento leiteiro, da expansão dos biológicos ao avanço da inseminação artificial, o setor entra em 2026 mais técnico, mais integrado e mais orientado por dados.

Suinocultura: perdas gestacionais sob análise técnica

Na produção de suínos, o indicador-chave continua sendo o número de leitões desmamados por fêmea ao ano. Entretanto, perdas embrionárias e fetais ainda representam impacto econômico relevante.

De acordo com Fernando Zimmer, da Auster Nutrição Animal, a mortalidade embrionária ocorre até os 35 dias de gestação, quando os embriões são absorvidos e não contabilizados ao parto. Após esse período, surgem as mortes fetais, muitas vezes identificadas pela presença de fetos mumificados ou leitões natimortos.

Embora agentes infecciosos possam estar envolvidos, predominam fatores não infecciosos, como falhas de manejo, escore corporal inadequado, ambiência desfavorável, estresse, micotoxinas e nutrição desequilibrada. A correta classificação das perdas é essencial para direcionar ajustes e melhorar o desempenho reprodutivo.

Girolando: genética e defesa do produtor no foco estratégico

Na pecuária leiteira, a nova diretoria da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando assumiu com o desafio de fortalecer o setor em meio à crise do leite e à concorrência com importações.

O foco está no aprimoramento do Programa de Melhoramento Genético da raça (PMGG), ampliando o acesso de pequenos e médios produtores às tecnologias de seleção e permitindo maior customização de índices genéticos por propriedade. A entidade também intensificará campanhas de valorização do consumo de leite, reforçando seu papel na alimentação e na economia nacional.

Inseminação artificial bate recordes históricos

O avanço da genética não se restringe à raça Girolando. O mercado nacional de inseminação artificial registrou crescimento expressivo em 2025.

Segundo o INDEX ASBIA 2025, elaborado pela Associação Brasileira de Inseminação Artificial em parceria com o Cepea, da Universidade de São Paulo, a entrada de doses de sêmen no mercado cresceu 15,57% em relação a 2024.

Foram mais de 23 milhões de doses produzidas no país (+12,46%) e 7,2 milhões importadas (+26,71%). O destaque foi o sêmen com aptidão leiteira, que atingiu recorde histórico de produção.

A comercialização totalizou quase 28 milhões de doses (+8,87%). As exportações cresceram 34%, com forte desempenho tanto no segmento de corte quanto no leite, consolidando o Brasil como referência global, especialmente em genética adaptada aos trópicos.

A tecnologia esteve presente em 4.529 municípios — 81,31% das cidades brasileiras — e 21,29% das matrizes foram inseminadas em 2025, o terceiro melhor resultado da série histórica.

O dado sinaliza que o ganho genético deixou de ser diferencial competitivo e se tornou estratégia estrutural da pecuária.

Biológicos avançam e ampliam presença internacional

Na agricultura, a Biotrop encerrou 2025 com faturamento próximo a R$ 900 milhões e crescimento de 23%, reforçando sua liderança em soluções biológicas.

Com mais de € 15 milhões investidos em Pesquisa & Desenvolvimento e cerca de dez novos registros previstos para 2026, a empresa amplia sua atuação em metabólitos e produtos de nova geração. Reconhecida pela Forbes como uma das mais inovadoras do Brasil, também mantém forte compromisso ESG, com destaque no ranking da EcoVadis e certificação da Great Place to Work.

Os biológicos passam a ocupar papel central no manejo moderno, combinando produtividade e sustentabilidade.

Profissionalização

Em todas essas frentes — reprodução suína, genética bovina, biotecnologia agrícola — o elemento comum é a profissionalização.

O agro brasileiro mostra que crescimento sustentável depende de monitoramento constante, indicadores bem definidos e inovação aplicada. A expansão da inseminação artificial, o fortalecimento de programas de melhoramento e o avanço dos biológicos indicam um setor cada vez mais técnico e preparado para competir globalmente.

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