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Incidência de demência em idosos no Brasil é maior do que em países ricos

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Uma nova pesquisa epidemiológica mostrou que a incidência de demência em idosos no Brasil, especialmente aqueles com menos de 65 anos, é maior do que em países desenvolvidos, mas equivalente a outros países em desenvolvimento. [1]

O estudo epidemiológico transversal analisou 20% da população com mais de 60 anos, moradora de áreas urbanas e rurais no município de Tremembé, em São Paulo. A taxa de incidência de demência foi de 26,1 por 1.000 pessoa-anos (intervalo de confiança, IC, de 95%, de 18,7 a 36; 6/1.000 pessoa-anos). O risco aumentou exponencialmente com a idade, sendo de 8,3/1.000 pessoa-anos para os participantes de 60 a 64 anos e atingindo 110,2/1.000 pessoa-anos a partir dos 80 anos. Nos países desenvolvidos, os valores para o grupo de 60 a 64 anos é de 3,4/1.000 pessoa-anos e alcança 99,4/1.000 pessoa-anos só para indivíduos maiores de 95 anos. [2]

“Temos poucos estudos epidemiológicos, mas há muitos anos a Organização Mundial de Saúde (OMS) já evidencia que a maior prevalência de demência está na América Latina”, disse ao Medscape a primeira autora do artigo, Dra. Karolina César-Freitas, neurologista do grupo de Neurologia Cognitiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

“A maior parte dos estudos de base populacional é formada por estudos de prevalência. Eles tiram uma fotografia da frequência de demência de uma determinada população em um dado momento. Este estudo demostra que não apenas a prevalência, mas a incidência é elevada”, avaliou em entrevista ao Medscape, o Dr. Paulo Caramelli, neurologista e professor de Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que não participou da pesquisa.

“A pesquisa é de muita qualidade científica e utiliza os instrumentos e critérios diagnósticos adequados. Não à toa foi publicada na revista de maior impacto na área”, concluiu.

Os altos valores observados na pesquisa brasileira estão, porém, dentro do esperado para a América Latina. Um dos maiores estudos de incidência de demência em países em desenvolvimento, o Grupo de Pesquisa de Demência 10/66, descreve uma incidência de demência entre 18,2 e 30,4 por 1.000 pessoa-anos entre participantes a partir dos 65 anos. Após ajustes metodológicos considerando aqueles que morreram de forma precoce, as taxas de incidência de demência cada 1.000 pessoa-anos foram similares em Cuba (23,3), na República Dominicana (26,8), no Peru (19,4), na Venezuela (29,2) e no México (31,37). [3] Outro grande estudo de coorte nacional do México descreve uma incidência de 27,3 por 1.000 pessoa-anos, que aumenta de 13,7 a 111,6/1.000 pessoa-anos quando o grupo avaliado passa de 60 a 69 anos a 80 anos ou mais. [4]

Baixa escolaridade e outros fatores de risco – O maior risco de demência foi encontrado entre indivíduos com comprometimento cognitivo sem demência na linha de base.

Os anos de escolaridade oferecem uma reserva cognitiva maior às pessoas, e os indivíduos com maior escolaridade tendem a desenvolver demência mais tarde. No estudo de Tremembé, as taxas de incidência foram maiores em participantes com escolaridade mais baixa. Se entre os que tinham mais de oito anos de educação formal a taxa era de 10,5 por 1.000 pessoa-anos, aumentava para 59,2/1.000 pessoa-anos entre os participantes analfabetos.

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