Polícia Civil irá investigar morte de menino de 13 anos no Hospital da Criança

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Foto: Divulgação

Policiais civis em Uberaba irão investigar a morte de um menino de 13 anos por omissão de socorro em Uberaba. O menino precisava ser transferido para outra unidade hospitalar e segundo o hospital, não recebeu o transporte.
De acordo com informações apuradas pela Folha Uberaba junto ao Boletim de Ocorrência (BO) registrado pela Polícia Militar, o óbito foi registrado na noite de ontem (29) no Hospital da Criança na Rua Lauro Borges, na área central da cidade, onde segundo os militares constaram no boletim de ocorrência, foram solicitados e compareceram ao Hospital da Criança.
Ali os pais relataram que a criança de 13 anos tinha morrido no local.
Os militares fizeram contato com a médica da unidade hospitalar e ela relatou que o menino de 13 anos deu entrada no hospital ontem por volta de 16:50, apresentando quadro considerável de falta de ar. Ela relatou ainda que, às 17h solicitou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para encaminhar a criança para Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), pois o estado de saúde do menor era extremamente delicado e o Hospital da Criança não tinha equipamentos necessários para tratar de maneira adequada o paciente, uma vez que o aparelho ventilador respiratório existente no local e estava com defeito e que o procedimento de oxigenação do paciente estava sendo realizado manualmente. A profissional de saúde ainda relatou os policiais militares que durante umas das diversas ligações que realizou para o Samu, uma atendente relatou que não havia nenhuma viatura disponível para enviar ao hospital, uma vez que a Unidade de Suporte Avançado (USA) estaria socorrendo uma vítima de acidente de trânsito, inclusive agiu com “deboche” da situação perguntando para a médica solicitante se era para a equipe do Samu arremessar o socorrido do acidente para fora da ambulância, para poder ir ao hospital e atender a tal demanda da criança.
Segundo consta na ocorrência, as 17:30 a medica do Samu entrou em contato com a médica do Hospital da Criança e disse que só iria enviar ambulância da USA, se o paciente fosse entubado.
A médica do Hospital da Criança, relatou ainda que recebeu uma nova ligação, e foi informada pelos profissionais do Samu que durante o deslocamento a USA teria apresentado o defeito nos freios. A médica do Hospital da Criança contou aos militares que apesar de realizar todos os procedimentos necessários para manter o menor com vida, o menino não resistiu e foi a óbito. Os policiais em seguida fizeram contato com a mãe da criança, e ela alegou que levou o filho para o Hospital da Criança na noite da última sexta-feira por volta de 18:30 pois a criança estava com falta de ar e afirmou ainda que ele tinha bronquite e asma.
A genitora relatou que durante o atendimento, os funcionários trataram o menino com “bombinhas” de oxigênio e prescreveram um medicamento para que fosse usado em casa e deram alta. Na manhã de ontem (29), o pai da criança a levou novamente para o hospital por volta das 10:30, devido ao quadro clínico ter piorado novamente e o paciente apresentava bastante cansaço e dificuldade para respirar. Ela alegou que uma médica atendeu o filho após solicitação de raio-x constatou que o menor estava com um quadro de pneumonia e disse a mãe que o menor teria que ficar
internado entre 5 e 7 dias.
A responsável relatou que a vítima permaneceu um longo período no oxigênio foram feitas várias medicações, pois o filho sentia bastante dores nas costas que após a verificação da saturação que teria caído para 86, a médica que estava no plantão naquele momento no Hospital da Criança, disse que ele teria que ser transferido contudo seria necessário entubá-lo, pois o Samu exigia esse procedimento para realizar a transferência para Hospital de Clínicas da UFTM.
A mãe disse ter achado estranho a médica ter utilizado no primeiro momento o medicamento Aerolin e depois trocou por outro não identificado por duas vezes no período de 30 minutos e posteriormente o menino morreu. O vereador Tulio Michelli Silva, compareceu na unidade hospitalar e durante fiscalização nos equipamentos, constatou que o ventilador respiratório não estava funcionando, apesar de estar dentro do prazo do período de calibração. Após ouvir os envolvidos os policiais militares lavraram o Registro de Evento de Defesa Social (Reds) encaminharam para a delegacia. O caso da morte da criança será investigado pela Polícia Civil.

Nota da Prefeitura:

” A Prefeitura de Uberaba lamenta o falecimento e se solidariza com a família do adolescente de 13 anos, e informa que, segundo o Hospital da Criança, o paciente foi atendido na sexta-feira, 28, um dia antes do óbito, e teve alta;
No sábado, ele retornou com grave quadro de saúde ao Hospital da Criança, que, às 15h59, insere junto ao Sistema Regulador Municipal/SAMU laudo solicitando internação do adolescente na própria unidade.
Às 17h13 o hospital encaminha um e-mail para o Complexo Regulador solicitando o cancelamento da internação na própria unidade, alegando a necessidade do adolescente ser transferido.
Para efetivar a transferência, o paciente deveria estar estabilizado, e não estava;
A ambulância de Suporte Avançado do SAMU, apta a transferí-lo, atendia um idoso, desde às 17h09, após queda de altura e que, segundo o solicitante, se encontrava desacordado;
Em seguida, às 17h41, a ambulância atendeu uma nova ocorrência, referente a uma queda de moto, em que o acidentado necessitou ser intubado na rua e encaminhado para o Hospital de Clínicas, posteriormente.
Às 17h56 o Hospital das Crianças insere um novo laudo no Sistema, solicitando a internação em outra unidade, sendo autorizada às 18 horas.
Durante todo esse período, os médicos do SAMU estavam orientando o Hospital da Criança sobre os procedimentos para estabilizar o paciente, uma vez que a transferência seria possível apenas com a estabilização.
Assim que a Unidade de Suporte Avançado é liberada e se dirige à unidade, equipe do SAMU entra em contato com o Hospital da Criança, sendo informada pela médica assistente do óbito.
O Hospital da Criança é uma instituição privada, que recebe repasses de 7 milhões da Secretaria Municipal de Saúde pelos serviços que presta;
Sabendo das dificuldades enfrentadas pela unidade hospitalar, especialmente após diagnóstico da equipe técnica do Hospital Regional, o município propôs ajuda, por meio de uma intervenção, com profissionais de reconhecida experiência em administração de hospitais, mas esta ajuda foi negada.
O hospital quer que o município aumente o repasse financeiro, mas isso só pode ser feito por meio de comprovação contábil. Esta é uma imposição legal.
Contudo, a direção da unidade não consegue apresentar uma justificativa técnica e contábil à sua demanda.
A Prefeitura está a disposição para colaborar com todas as investigações sobre a morte do adolescente e finaliza pontuando que detalhes da internação devem ser buscados junto ao hospital.
Vale destacar que toda situação está sendo acompanhada de perto, desde o sábado, pela Secretaria de Saúde”.

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