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Reconstrução em vida de dinossauro carnívoro é apresentada para a comunidade na 20ª Semana dos Dinossauros

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Ciência, tecnologia e arte proporcionaram um verdadeiro espetáculo nesta terça-feira, 5 de outubro, na programação da 20ª Semana dos Dinossauros, com atividade inserida no Projeto Geopark Uberaba: Terra de Gigantes.  Durante a manhã, em um evento realizado no Praça Uberaba Shopping, para convidados e imprensa, foram apresentados dados de um fóssil de um grande dinossauro carnívoro e a primeira escultura do mundo em tamanho real.  A apresentação contou com a participação do geólogo do Complexo Cultural e Científico de Peirópolis da UFTM, Luiz Carlos Borges Ribeiro; do professor da UFTM e paleontólogo, Thiago da Silva Marinho; e do paleoartista Rodolfo Nogueira. 

O evento contou com a presença do reitor da UFTM, professor Luiz Fernando Resende dos Santos Anjo; do pró-reitor de Extensão Universitária, professor Fabrício Anibal Corradini; da diretora do Departamento de Desenvolvimento Cultural da UFTM, Paula Cusinato; da diretora do Complexo Cultural e Científico de Peirópolis, Stela Mariana de Morais; da diretora de Turismo, Feiras e Eventos da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Inovação de Uberaba,  Maria Aparecida Basílio; e da arquiteta Thais Cury.

A grande atração do dia foi o dinossauro Megaraptor, um gigante carnívoro que podia medir até 9 metros de comprimento por 3 metros de altura, com garras grandes e afiadas em forma de foice. Segundo o geólogo do Complexo Cultural e Científico de Peirópolis da UFTM, Luiz Carlos Borges Ribeiro, o Megaraptor teria vivido na região onde hoje é a cidade de Uberaba. Em 2011, durante as escavações para a fundação do Hospital Regional de Uberaba, trabalhadores teriam encontrado uma vértebra caudal de um dinossauro. Na época, um dos funcionários da obra, curioso com o objeto encontrado, procurou a equipe do Museu de Peirópolis. De imediato, a equipe compareceu ao canteiro de obras, mas a construção já estava adiantada e não foi possível encontrar mais fósseis no local. A partir da vértebra encontrada, foram realizados estudos científicos que levaram à conclusão de que o material encontrado pertencia ao grupo Megaraptor.  

Para o geólogo, a cidade de Uberaba é um enorme sítio paleontológico, sendo que  80% da malha urbana é constituída por rochas sedimentares que possibilitaram a preservação de fósseis. Por isso, estudos científicos sempre apresentam novas espécies e algumas delas são gigantes que viveram na região há mais de 80 milhões de anos.  “Dentro da cidade de Uberaba já foram descritas 15 localidades com essas ocorrências fossilíferas. Isso vem acontecendo desde a construção do Estádio de Futebol Uberabão. Na ocasião, diversos fósseis foram encontrados. Com o andar das obras, acho que Uberaba vai revelar inúmeros novos fósseis para contribuir para a ciência paleontológica nacional, fortalecendo assim as ações do Projeto Geopark Uberaba: Terra de Gigantes”, acrescentou o geólogo. 

Megaraptor – Ladrão Gigante 

De acordo com o professor da UFTM e paleontólogo, Thiago da Silva Marinho, o grupo dos Megaraptores trata de dinossauros de porte médio a grande, com distribuição geográfica bastante ampla.  “São conhecidos fósseis de Megaraptor atualmente aqui na América do Sul, na Ásia e na Oceania. Aqui na América do Sul temos os principais fósseis vindos da Argentina, onde esse grupo foi identificado pela primeira vez”, explicou o professor.  

Uma das características mais marcantes do grupo é a garra da mão, no polegar, em forma de foice. “Essa forma de foice nunca havia sido observada em nenhum outro dinossauro e foi o suficiente para a determinação de um novo gênero, de uma nova espécie. A partir de então, novos fósseis foram encontrados, fósseis mais completos, o que permitiu, então, a compreensão melhor de como eram esses Megaraptores. Foram encontrados outros fósseis em outras partes do mundo, inclusive aqui no Brasil. Então, hoje, aqui no Brasil, a gente tem algumas coisas pontuais de Megaraptores no nordeste brasileiro, na Bacia Potiguar e também na Chapada do Araripe, no estado de São Paulo, na cidade de Ibirá e também em Uberaba”, esclareceu o paleontólogo.  

Os Megaraptores tinham vértebras pneumáticas, ou seja, com cavidades preenchidas por ar, o que tornava os esqueletos mais leves e facilitava a locomoção dos predadores.  

Reconstrução em vida 

O paleoartista Rodolfo Nogueira teve como desafio produzir a primeira reconstrução em vida do Megaraptor. Foram cerca de três meses de trabalho e a aplicação de diferentes técnicas de computação gráfica e estudo de referências para que o processo fosse finalizado para ser apresentado para a comunidade. 

“Era um carnívoro muito misterioso e peculiar, um animal que, ao contrário dos dinossauros que nós estamos acostumados a ver no cinema, tinha um braço enorme e garras com até 35 cm. Eu fiquei muito empolgado, pois era bem maior do que todas as esculturas que eu já havia feito. Eu topei o desafio e comecei uma verdadeira batalha. Primeiro, reconstruir o animal no computador em 3D usando softwares que Hollywood usa para fazer os efeitos especiais dos filmes. O processo começa com análise do esqueleto, que nesse caso só tinha uma vértebra fragmentada. Então busquei nos seus parentes as referências para fazer a réplica do esqueleto e, assim, eu consegui também, observando os animais vivos, reconstituir a musculatura dele. Então, com ajuda de um engenheiro calculista e um artista serralheiro, foi feito um esqueleto de ferro. Então imprimimos em  isopor em 3D todo o corpo do animal. Por último, eu e minha equipe acrescentamos cimento e fibra de vidro para esculpir todas as dobras de pele, escamas e penas”, explicou o paleoartista.  

A escultura em tamanho real mede seis metros de comprimento por 2,20 de altura e ficará em exposição no Praça Uberaba Shopping por tempo indeterminado e posteriormente será transferida para local de visitação na Univerdecidade, em Uberaba. 

Fotos: Elioenai Amuy/UFTM

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