Conflito no Oriente Médio eleva custos e traz incertezas ao agro brasileiro
Bloqueios logísticos, alta no petróleo e incertezas no comércio internacional colocam em alerta exportações brasileiras de carne, grãos e fertilizantes.

Fertilizantes, diesel, carne e grãos sofrem com a guerra, além da economia brasileira, principalmente a exportadora e importadora de produtos. Uma vez que a guerra, mesmo que longe, atinge os principais canais exportadores marítimos, afetando assim os valores iniciais e finais.
“Os custos logísticos são afetados por desvios de rota, elevação da percepção de risco com aumento dos prêmios de seguro no transporte marítimo, com impactos diretos sobre o comércio. O resultado é a ampliação das despesas operacionais ao longo da cadeia”
A principal é o bloqueio da navegação pelo estreito de Ormuz, por onde passam pelo menos 20% da produção mundial de petróleo, além de outras mercadorias com origem e destino ao Oriente Médio.

CARNE E GRÃOS
Para o agro, uma das principais consequências é o aumento de custos, além dos riscos com a própria instabilidade em uma região que está entre as mais relevantes para o comércio do setor no Brasil. Em 2025, as exportações agropecuárias para o Oriente Médio somaram US$ 12,4 bilhões, um aumento médio de 49% ao ano desde 2000.
O principal destino na região é, justamente, o Irã, que respondeu por 29,3% do valor total, com US$ 2,9 bilhões. Em seguida, aparecem Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. No agregado de todos os países, o Oriente Médio respondeu por 7,4% das vendas do agro brasileiro em 2025, com destaques para carne de frango, milho, açúcar, carne bovina e soja.
A carne de frango é um exemplo. No ano passado, 1,5 milhão de toneladas foram para a região, o equivalente a 29% das exportações brasileiras do produto. O Irã se consolidou em 2025 como o maior importador do milho brasileiro. Foram 9 milhões de toneladas no ano passado, ou 23% do total exportado pelo Brasil.
Com a colheita da soja e sua grande quantidade exportada, começa o questionamento: como ficará a soja? Tendo em vista que Dez navios estão programados para carregar, nos próximos dias, cerca de 660 mil toneladas de soja e farelo de soja com destino ao Irã, segundo dados da Alphamar Agência Marítima. “A grande incerteza é o que vai acontecer com esses dez navios que já estavam anunciados para o Irã. As tradings que estão vendendo essa carga vão manter o negócio? Ou os navios eventualmente serão destinados a outras rotas?”
FERTILIZANTES
Citando dados do banco holandês Rabobank, o relatório do Insper informa que 45% das exportações globais de ureia passam por rotas associadas ao Golfo Pérsico.
“Além da grande importância dos países do Oriente Médio no fornecimento desse produto. Cerca de 25% da amônia, 20% do fosfato diamônico (DAP), 10% do fosfato monoamônico (MAP) e quase 30% do enxofre global circulam por essas vias marítimas, o que reforça o papel estratégico da região para a segurança alimentar mundial”, informa o relatório, destacando a alta dependência do Brasil de adubo importado.
Em 2025, o Irã exportou 184,7 mil toneladas de ureia ao Brasil, o equivalente a US$ 66,8 milhões, e o principal produto vendido pelo país persa ao mercado nacional.
“Logo depois do início do conflito, fornecedores de ureia do Oriente Médio retiraram suas ofertas, aguardando mais clareza sobre a precificação”, afirma. “Eles querem entender se a ureia vai valer 400, 500, 600 ou 700 dólares por tonelada antes de voltar a vender.”
A guerra no Oriente Médio é mais um lembrete de que o campo brasileiro não está apenas conectado ao clima e ao solo, mas também ao complexo tabuleiro geopolítico global. Em um mundo cada vez mais interligado, entender o cenário internacional tornou-se tão importante quanto acompanhar a próxima safra.
Diante de eventos climáticos extremos, seguro rural ganha protagonismo na gestão de risco no campo
Crescimento do Sicoob no segmento reflete a ampliação da cultura de proteção e planejamento financeiro no campo

Intensificação de eventos climáticos extremos, como estiagens prolongadas, chuvas irregulares e ondas de calor, tem ampliado o nível de incerteza no meio rural e reforçado a importância de mecanismos estruturados de proteção para quem vive e produz no campo. Nesse contexto, o seguro rural se consolida como ferramenta essencial de gestão de risco, estabilidade financeira e continuidade da atividade produtiva.
Com propriedades cada vez mais tecnificadas e operações mais complexas, os desafios vão além da produtividade. A previsibilidade de receita, o cumprimento de compromissos financeiros e a preservação do patrimônio passam, cada vez mais, por estratégias estruturadas de mitigação de risco. “O seguro rural deixou de ser um instrumento de proteção pontual e passou a integrar o planejamento estratégico da propriedade. Em um ambiente de maior instabilidade climática, ele é um componente fundamental para preservar a capacidade produtiva, proteger os ativos e garantir sustentabilidade econômica ao longo do tempo”, afirma Francisco Reposse Junior, diretor Comercial e de Canais do Sicoob.
Essa evolução também se reflete nos resultados do Sicoob. Considerando o período de julho a novembro de 2024 (safra 2024/2025) e de julho a novembro de 2025 (safra 2025/2026), o Sistema registrou crescimento de 7,1% no volume de prêmio líquido. No mesmo intervalo, a participação do Sicoob no mercado avançou de 2,9% para 3,8%, consolidando a ampliação da presença do cooperativismo financeiro no segmento de seguro rural. O desempenho evidencia o fortalecimento da atuação da instituição na proteção integral da atividade rural e a confiança crescente dos produtores nas soluções estruturadas oferecidas pelo Sistema.
O Sicoob disponibiliza soluções de seguro rural que contemplam diferentes culturas, sistemas produtivos e perfis de propriedade. Além da cobertura para perdas decorrentes de eventos climáticos adversos nas lavouras, o seguro também protege animais, estruturas físicas, benfeitorias, equipamentos e maquinário, ativos essenciais para a continuidade da operação e para a preservação do investimento realizado pelo produtor.
“Nosso compromisso é apoiar o produtor na construção de uma atividade mais resiliente e sustentável. O seguro rural é parte dessa estratégia: ele protege a produção, os ativos e o planejamento financeiro da propriedade, garantindo segurança para o presente e confiança para o futuro”, comenta Reposse. Ao integrar seguro, crédito e planejamento financeiro, o Sicoob contribui para uma visão mais ampla de gestão de risco, protegendo não apenas a produção, mas todo o patrimônio que sustenta a atividade no campo.
Sobre o Sicoob
Instituição financeira cooperativa, o Sicoob tem mais de 9,5 milhões de cooperados e está presente em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. Oferece serviços de conta corrente, crédito, investimento, cartões, previdência, consórcio, seguros, cobrança bancária, adquirência de meios eletrônicos de pagamento, dentre outras soluções financeiras. É formado por 322 cooperativas singulares, 14 cooperativas centrais e pelo Centro Cooperativo Sicoob (CCS), que é composto por uma confederação e um banco cooperativo, além de uma processadora e bandeira de cartões, administradora de consórcios, entidade de previdência complementar, seguradora e um instituto voltado para o investimento social. Ocupa a primeira colocação entre as instituições financeiras com maior número de agências no Brasil, com mais de 4,7 mil pontos de atendimento, e, em mais de 420 municípios, é a única instituição financeira presente. Acesse www.sicoob.com.br para mais informações.

